Durante uma coletiva de imprensa, Jorge Viana, presidente da Apex, destacou que a ratificação do acordo será uma prioridade do Congresso na retomada das atividades legislativas após o recesso. A proposta envolve não apenas a aceleração da aprovação interna no Brasil, mas também nas nações que compõem o Mercosul, antes de ir diretamente aos contatos políticos na Europa. Uma das estratégias aponta para uma visita de parlamentares sul-americanos ao Parlamento Europeu, promovendo um diálogo de alto nível entre os líderes das duas regiões.
Além disso, a Apex está se preparando para lançar uma campanha de comunicação voltada para superar as resistências ao acordo e atualizar a percepção do Brasil entre eurodeputados e consumidores europeus. Essa ofensiva se justifica diante de dados que mostram que a União Europeia é o segundo maior destino das exportações brasileiras, alcançando a cifra de US$ 49,8 bilhões em 2025, contribuindo significativamente para o comércio bilateral. Cabe ressaltar que, embora o agronegócio represente uma parte importante, apenas 23% do total negociado, a imagem do Brasil ainda é distorcida, com muitos associando-o principalmente a produtos agrícolas.
Viana observou que parte da oposição ainda se baseia em estereótipos defasados e que é necessário trabalhar para modificar essa percepção. Argumentos utilizados em debates anteriores não refletem mais a realidade atual do Brasil.
Uma nova pesquisa divulgada pela Apex aponta que o Brasil poderia expandir suas exportações em até 543 produtos com a eliminação imediata de tarifas, em um mercado que movimenta US$ 43,9 bilhões ao ano dentro da União Europeia. As oportunidades estão concentradas principalmente na Europa Ocidental, mas também se estendem a outras regiões, como Europa Meridional e Oriental.
A movimentação ocorre em um contexto político delicado, após o Parlamento Europeu solicitar uma revisão jurídica adicional do acordo, o que representa um empecilho para sua tramitação. Essa petição, impulsionada por preocupações com salvaguardas ambientais e mecanismos de verificação mais rígidos, tende a atrasar ainda mais o avanço do tratado, que já enfrenta desafios significativos.
Com essas iniciativas, o Brasil busca não apenas a ratificação do acordo, mas também a construção de uma imagem mais positiva e atualizada no cenário internacional.






