A análise da Apex também sugere que os efeitos positivos da redução tarifária acordada podem ser sentidos de imediato, especialmente em setores-chave da indústria brasileira. Maquinário, equipamentos de transporte, motores e geradores de energia elétrica, assim como autopeças e aeronaves, são alguns dos segmentos que devem usufruir de taxas reduzidas logo na fase inicial de implementação. Além disso, o acordo abre oportunidades para uma variedade de produtos, como couro, peles, pedras ornamentais e itens da indústria química, ampliando consideravelmente as possibilidades de exportação.
Um dos pontos fortes deste acordo é a expectativa de diversificação na pauta exportadora do Brasil. Atualmente, mais de um terço das importações brasileiras oriundas da União Europeia é composto por produtos da indústria de transformação. Com a introdução de barreiras comerciais menos restritivas, essa proporção tende a aumentar ainda mais.
No que se refere às commodities, o impacto será um pouco mais gradual. O pacto prevê a redução progressiva das tarifas para produtos como carnes de aves e bovina, além do etanol, com o objetivo de zerar essas taxas em até 10 anos, respeitando cotas que buscam proteger os produtores rurais da Europa.
Em uma declaração significativa, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, destacou a relevância desse acordo no contexto atual de crescente proteçãoismo e crise do multilateralismo global. Ele afirmou que esse pacto representa uma “vitória do multilateralismo”, contrastando com um cenário em que a Organização Mundial do Comércio tem perdido influência. Vale ressaltar que o mercado formado pela união do Mercosul e da União Europeia abrange mais de 700 milhões de consumidores e possui um Produto Interno Bruto (PIB) próximo a US$ 22 trilhões, posicionando se como o segundo maior bloco econômico do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
