Durante sua análise, a juíza destacou a “personalidade insidiosa” de Jairinho, caracterizada pelo engano e dissimulação, e reprovou a “violência desproporcional” empregada pelo réu. Elizabeth Louro também chamou a atenção para a “rara e desmedida covardia” de suas ações. Em contraponto, Monique foi sentenciada a 1 ano e 4 meses de prisão pelo crime de tortura, porém a juíza considerou que esse tempo já foi cumprido enquanto ela estava em prisão preventiva. A acusação de homicídio doloso foi reclassificada para homicídio culposo e um perdão judicial foi concedido a ela, após um discurso incisivo sobre o papel da mulher na sociedade moderna.
A juíza afirmou que a mulher é muitas vezes vista sob um estigma, tendo que ser a “mãe perfeita”, e argumentou que Monique já havia sofrido, ao longo do processo, um castigo severo por parte da sociedade. Salientou também a “reação desproporcional” em relação à conduta de Monique, apontando uma “atitude claramente discriminatória de gênero, influenciada pela cultura patriarcal”. Elizabeth insinuou que, se o papel fosse invertido, com um pai na mesma situação, as consequências seriam muito diferentes.
O julgamento, que durou mais de dez dias e contou com diversos depoimentos, foi marcado por confrontos acalorados entre a acusação e defesa, onde se sustentou que Jairinho agrediu repetidamente a criança e que Monique tinha conhecimento das violências. As defesas, por sua vez, repudiaram as alegações, afirmando que Jairinho era inocente e que Monique foi uma vítima de manipulação.
A defesa de Jairinho anunciou a intenção de recorrer da decisão, alegando diversas “nulidades” no julgamento e buscando a anulação da sentença e a convocação de um novo júri. Já a decisão que favoreceu Monique provocou reações diversas, inclusive do promotor Fábio Vieira, que pretende apelar, afirmando que a mãe deveria ter sido condenada por homicídio doloso. O pai de Henry, Leniel Borel, criticou severamente a decisão, sentindo que a vida de seu filho foi desconsiderada uma vez mais.
