O movimento “redpill” tem ganhado notoriedade por promover uma visão de mundo onde homens se veem como vítimas de um sistema que, segundo acreditam, favorece as mulheres. Tal discurso, frequentemente mascarado por pseudo evidências e manipulações de dados, pode servir como uma espécie de combustível para a violência de gênero. A presidente do ISP, Bárbara Caballero, alertou que a única forma de interromper o ciclo de violência é trabalhar na raiz do problema, evidenciando a cultura machista que permeia a sociedade, onde comportamentos misóginos tornam-se naturalizados e aceitáveis.
De acordo com o Dossiê, há uma necessidade urgente de focar na responsabilização dos agressores, ao invés de apenas narrar as experiências das vítimas. Ao longo de duas décadas após a promulgação da Lei Maria da Penha, as plataformas online emergiram como novos palcos para a misoginia, além de serem ferramentas para os agressors. O estudo examinou 100 postagens de perfis ligados ao “redpill” e destacou que essas contas se retroalimentam, alcançando impressionantes 23 milhões de visualizações.
Os dados estatísticos revelam um cenário alarmante: em 2022, 159.041 mulheres e meninas no estado do Rio foram vítimas de violência, um número que representa três casos por minuto. Os dados também indicam que 71,5% dos agressores são homens com os quais as vítimas têm algum tipo de relação, e que as violências mais prevalentes são psicológica, seguida das formas física, moral, sexual e patrimonial.
Outro dado preocupante identificado no estudo é que a violência psicológica e moral, frequentemente perpetrada através da internet, aumentou significativamente nos últimos anos. O ISP registrou 29.147 ocorrências relacionadas à violência no ambiente virtual, onde 57,4% das vítimas eram mulheres. As Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAMs) registraram 2.521 casos de crime online, mostrando a crescente utilização do meio digital para perpetuar o abuso.
O Dossiê também abordou os feminicídios, com 105 registros no ano passado, e observou que a maioria das vítimas não possuía medidas protetivas em vigor. A análise revela que uma grande parte dos autores já tinha histórico de violência, e a presença de álcool ou drogas no momento dos crimes é significativa.
Com esse panorama, o ISP propõe um compromisso firme na identificação e responsabilização dos autores de discursos de ódio e na proteção das vítimas. O secretário estadual de Segurança Pública, Victor César Santos, ressaltou a importância de não minimizarmos as implicações desses discursos virtuais, indicando que o Estado já investiga as contas associadas. O enfrentamento efetivo da misoginia e da violência contra a mulher é uma questão de urgência social e necessária para a construção de uma sociedade mais justa e segura.





