Dólar atinge maior valor em três meses enquanto bolsa sofre queda com pressão de commodities e expectativas de juros altos nos EUA.

Nesta quarta-feira, 24 de outubro, o clima de tensão dominou o mercado financeiro brasileiro, com o dólar alcançando a maior cotação em quase três meses. A moeda americana fechou em alta de 0,28%, cotada a R$ 5,202. Durante o pregão, chegou a ser negociada a R$ 5,22, marcando o segundo dia consecutivo de valorização e o nível mais elevado desde o final de março.

O movimento ascendente do dólar está ligado à expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos, aliado à significativa queda nos preços do petróleo, que caiu para o menor patamar desde o início do conflito geopolítico envolvendo o Irã e os EUA. Esse quadro desestimulou os investidores locais em relação aos ativos vinculados a commodities, uma vez que a diminuição nos preços do petróleo geralmente reduz o apetite de compra por ações dessas empresas.

A pressão sobre a bolsa de valores foi evidente, com o índice Ibovespa encerrando o dia em 170.506 pontos, uma queda de 0,44% após três dias de alta. A desvalorização das ações de empresas do setor de energia e mineração, especialmente ligadas ao petróleo, contribuiu para o declínio geral do mercado. Já as ações atreladas ao consumo interno se destacaram, beneficiadas pela redução nas taxas de juros projetadas para o futuro.

No âmbito internacional, o movimento da moeda americana é impulsionado pela política do Federal Reserve, que parece mais inclinada a manter uma postura restritiva diante das pressões inflacionárias nos EUA. O índice DXY, que reflete o desempenho do dólar em comparação a uma cesta de moedas fortes, permanece nos maiores níveis em mais de um ano, somando uma alta de cerca de 3% em 2023.

Em relação ao petróleo, a commodity enfrentou sua terceira queda consecutiva, com o barril do Brent para setembro recuando 3,81%, a US$ 73,87, enquanto o WTI foi negociado a US$ 70,34. O alívio nas tensões geopolíticas, incluindo a possibilidade de normalização da oferta de petróleo pelo Estreito de Ormuz, favoreceu a percepção de que o risco de interrupção no fornecimento pode estar diminuindo, embora os mercados permaneçam vigilantes em relação a futuras negociações entre os Estados Unidos e o Irã.

Dessa forma, o dia foi marcado por um contraste entre a pressão sobre o mercado local e a reação mista aos acontecimentos internacionais, refletindo uma trajetória complexa para investidores e analistas.

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