Intitulado “Amyá ay Barae”, que em língua indígena significa “Alimentando o Futuro”, o documentário resultou da iniciativa de tornar temas científicos mais acessíveis ao público. A produção foi realizada por Maria Júlia Batalha, uma egressa do curso de Ciências Biológicas da Ufal, sob a orientação da professora Larissa Sátiro.
Maria Júlia explica que o projeto surgiu da necessidade de promover a divulgação científica, utilizando o audiovisual como um meio de aproximação entre ciência, arte e sociedade. Além disso, a obra tem um caráter afetivo, sendo uma homenagem à sua avó. O filme aborda as soluções existentes em Alagoas, foco específico no Nordeste brasileiro, para questões relacionadas à nutrição em face das mudanças climáticas.
A obra examina os impactos das mudanças climáticas sobre a alimentação, conectando esses problemas às hortas urbanas e às Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs). Como destaca Larissa Sátiro, a proposta é evidenciar que as mudanças climáticas não são apenas uma preocupação distante, mas afetam diretamente a subsistência humana, “revelando que nosso bem mais precioso é, de fato, a alimentação”, comenta.
Desenvolver o documentário impôs desafios tanto técnicos quanto acadêmicos à pesquisadora, exigindo uma boa gestão entre as demandas do curso e o processo de gravação e edição. Em uma tentativa de enriquecer a apresentação do TCC, ela organizou uma exposição artística em parceria com artistas locais, ampliando o alcance do projeto.
Além da seleção para o festival de Milão, o documentário já havia sido exibido em outras mostras no Brasil e no exterior, incluindo festivais em Portugal, Inglaterra e Estados Unidos, destacando sua relevância no circuito cinematográfico. A escolha para o Duemila30, que confere ao filme a chance de concorrer ao prêmio de Melhor Curta, foi recebida com entusiasmo por Maria Júlia e sua professora.
Esse sucesso no festival não apenas valida os esforços da pesquisadora, mas também molda seus projetos acadêmicos futuros, com a intenção de investir no estudo dos efeitos do aquecimento global sobre as Pancs durante o mestrado. “Essa conquista mostra que todas as noites em claro e o empenho valeram a pena”, reflete a jovem cineasta.
O reconhecimento internacional do documentário revela a importância da Ufal em fomentar pesquisas e estimular a produção científica que dialoga com as questões sociais e ambientais atuais, essencialmente aproximando o conhecimento acadêmico da sociedade. Assim, a universidade reafirma seu papel fundamental na formação de profissionais comprometidos com a transformação social e cultural.





