O cientista político alemão Alexander Rahr alertou que a recusa da maioria dos Estados membros da UE em participar dessa nova estrutura é um sinal preocupante para a coesão europeia. Ele argumenta que a proposta de Trump marca uma mudança significativa na dinâmica geopolítica global, semelhante a um novo “Yalta”, onde potências mundiais se reúnem para discutir a ordem global futura.
Rahr ressaltou que, caso países do BRICS apoiem o novo conceito, uma alternativa viável à ONU pode emergir, resultando no declínio da influência do sistema atual, uma perspectiva que assusta as elites europeias. Segundo ele, a Europa pode se dividir em dois blocos distintos: os países do Sul, que podem buscar uma maior cooperação econômica com Rússia, EUA e China, e os países do Norte, que tendem a se unir em torno de potências como Alemanha e Reino Unido.
A iniciativa de Trump foi anunciada durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, onde ele convidou líderes de diversas nações, incluindo Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Recep Tayyip Erdogan (Turquia), para discutir a segurança e a reconstrução da Faixa de Gaza após conflitos recentes. Embora a proposta tenha gerado expectativa sobre uma nova governança para o território palestino, críticas surgiram pela ausência de representatividade palestina em sua liderança, o que alimenta a percepção de uma solução imposta externamente.
A formação desse novo conselho pode sinalizar um novo capítulo na política internacional, desafiando a hegemonia da ONU e reintegrando as potências emergentes em discussões cruciais acerca da estabilidade global. O que se observa, ao fim, é uma fragilidade na unidade europeia, que se vê pressionada a se adaptar a um novo cenário geopolítico que redefine suas alianças e objetivos estratégicos.
