Divisão na América do Sul: Acordos sobre Minerais Críticos entre EUA e BRICS Geram Novos Desafios e Oportunidades para Países da Região.

A disputa por acordos relacionados a minerais críticos na América do Sul está tomando contornos intensos e revelando divisões significativas entre os países da região. Enquanto Argentina e outros países sul-americanos buscam alinhar suas políticas com as diretrizes dos Estados Unidos, o Brasil traça um caminho distinto, orientando-se para uma nova aliança com a Índia. Este movimento emergente ficou evidenciado durante a recente visita do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, onde se reuniu com o primeiro-ministro Narendra Modi. A agenda do encontro destacou a necessidade de industrializar os minerais críticos, buscando não apenas a exploração, mas o processamento e a geração de valor agregado local.

De acordo com Susann Kleebank, secretária do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, a intenção é garantir que o Brasil não se limite a exportar suas riquezas naturais sem beneficiá-las internamente. Essa abordagem contrasta com o cenário criado por um recente memorando assinado entre Argentina, Equador, Peru e Paraguai, que se alinham com as políticas de Washington. Esse memorando visa adaptar suas estruturas mineradoras às exigências dos EUA, em um contexto onde estes veem a alta concentração do mercado de minerais como uma vulnerabilidade geopolítica.

A situação é complexa, com especialistas como o engenheiro argentino Eduardo Gigante enfatizando que a questão dos minerais críticos é cada vez mais central nas agendas de importantes potências globais. Ele observa que os EUA tentam recuperar o tempo perdido em relação à China, que já controla mais de 80% do mercado de minerais críticos, enquanto os acordos propostos pelos americanos podem ser vistos como restritivos para os países da região.

Para Daniel Prieto, analista político, a situação se desenrola em um cenário de “Guerra Fria” pelos recursos minerais. Ele sugere que os EUA estão focados na segurança das cadeias de suprimento, enquanto países do BRICS, como a China e a Índia, oferecem parcerias com foco em investimentos em infraestrutura e no desenvolvimento econômico regional. Essa dinâmica coloca os países sul-americanos em uma posição delicada: ou eles se comprometem com uma dependência comercial maior em relação aos EUA, ou buscam parcerias que possam permitir maior autonomia, como as com a Índia e a China.

Prieto também alerta para a importância da negociação coletiva e democrática entre os países da América do Sul, de modo a evitar que os acordos se voltem apenas para a extração de recursos. Organizações como Mercosul e CELAC podem ser fundamentais nesse processo, proporcionando uma base para uma política de industrialização e utilização sustentável de recursos naturais. Essa discussão sobre o papel dos minerais críticos na política econômica sul-americana é fundamental, pois pode determinar o futuro do desenvolvimento regional e sua capacidade de resistir a pressões externas.

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