Recentemente, um conselheiro econômico de Pequim fez um alerta sobre a situação fiscal dos EUA, enfatizando que a ausência de uma abordagem disciplinada pode ser um indicativo de que não há planos concretos para lidar com a situação. Este alerta leva em consideração a trajetória crescente da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), que prossegue em um ritmo considerado insustentável por especialistas. Huang Yiping, do Banco Popular da China, sublinhou que a atual configuração institucional e as práticas de formulação de políticas em Washington não apontam para um ajuste fiscal iminente.
Em um fórum acadêmico, Huang compartilhou suas preocupações ao lado do renomado economista de Harvard, Jason Furman, que também se juntou ao coro de avisos. Furman descreveu o déficit dos EUA como excessivo e alertou que, sem correções significativas, a situação tornaria a trajetória da dívida cada vez mais insustentável. Ele sugeriu que, se os Estados Unidos decidirem reduzir seu déficit, isso pode ter repercussões na balança de pagamentos. Alternativamente, alertou para a possibilidade de que seja necessário aumentar a poupança interna ou cortar o consumo de importações, o que resultaria em uma desaceleração econômica.
Atualmente, a dívida federal dos EUA ultrapassa os US$ 38,4 trilhões, marcando um aumento alarmante de mais de US$ 2 trilhões em apenas um ano. Apesar desses números alarmantes, o desinteresse aparente dos eleitores, legisladores e do próprio mercado financeiro intensifica a urgência dessa questão. A instabilidade, muitas vezes exacerbada por conflitos políticos, como as tensões geradas pelo governo Trump em relação à Reserva Federal, tem contribuído para uma venda acentuada de ativos americanos.
Além disso, a China, um dos principais credores da dívida dos EUA, tem diminuído suas participações de maneira contínua, chegando a um nível que não era visto desde 2008, instaurando uma nova dinâmica no cenário econômico internacional em que os Estados Unidos fazem frente a um cenário de crescente endividamento e a ascensão da China como potência credora. A situação é um indicativo claro de que as políticas fiscais atuais precisarão ser revistas com urgência, a fim de evitar consequências ainda mais severas a nível global.
