Depois de flutuações ao longo de 2021, a dívida, que inicialmente ficava ao redor de 79% do PIB, começou a mostrar uma tendência de queda até o final de 2022. Contudo, essa trajetória mudou nos últimos anos, e agora os números voltam a subir, projetando uma preocupação crescente entre economistas e analistas financeiros.
Para entender essa recuperação preocupante da dívida, é necessário considerar o contexto da pandemia, quando os níveis de endividamento excederam 87% do PIB em 2020 e no início de 2021. A partir da redução das despesas emergenciais e da recuperação econômica, houve uma redução nos anos subsequentes. No entanto, essa tendência foi revertida, e a dívida voltou a crescer.
A atual elevação da dívida é impulsionada, em grande parte, pelo déficit público, que exige que o governo emita novos títulos para cobrir suas despesas. Os custos elevados com juros também continuam a pressionar as contas públicas, mesmo diante de um resultado fiscal ligeiramente melhor em fevereiro. O setor público consolidado anunciou um déficit primário de R$ 16,4 bilhões, uma leve redução em comparação aos R$ 19 bilhões do mesmo mês do ano passado. Este resultado foi fortemente influenciado pelo bom desempenho de estados e municípios, que registraram superávit, ajudando a suavizar o rombo do governo central.
Apesar dessa leve melhora no resultado primário, os gastos com juros permanecem alarmantes, totalizando R$ 84,2 bilhões em fevereiro e ultrapassando R$ 1 trilhão nos últimos 12 meses. Economistas, como Tiago Sbardelotto da XP, alertam que, mesmo com a redução do déficit em relação ao ano anterior, a trajetória de crescimento da dívida pública é insustentável.
Sbardelotto ressalta a predominância dos juros na dinâmica fiscal, mencionando que 8,1% do PIB é destinado ao pagamento de juros. O resultado fiscal total do setor alcançou um déficit de R$ 1,089 trilhão em 12 meses, representando 8,5% do PIB. A expectativa é de que essa tendência de alta persista, uma vez que os superávits primários ainda estão longe do necessário para estabilizar a dívida.
Adicionalmente, o Goldman Sachs compartilha uma visão semelhante, prevendo que a dívida pública brasileira continuará sua trajetória ascendente nos próximos anos. O economista Alberto Ramos aponta que uma redução estrutural da dívida exigiria superávits primários acima de 2% do PIB, o que, no atual cenário, se mostra improvável no curto prazo.
Esse contexto acende um alerta sobre a necessidade de estratégias fiscais mais robustas, dadas as pressões contínuas sobre a dívida e a urgência de equilibrar as contas públicas do país.
