Distrito Federal não possui dados consolidados sobre autismo nos últimos 5 anos, deixando população no escuro. SES-DF confirma ausência.

O Distrito Federal enfrenta um grave problema de falta de dados consolidados sobre pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nos últimos cinco anos na capital. A Secretaria de Saúde (SES-DF) confirmou a ausência dessas informações, deixando pacientes, familiares, profissionais de saúde e a população em geral no escuro.

Em uma solicitação feita pelo Metrópoles neste mês, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e da assessoria de comunicação, foram requisitados dados importantes como o número de pessoas autistas diagnosticadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no DF entre 2020 e 2024, além do número de pessoas autistas que realizaram terapias ocupacionais, fonoaudiologia e psicoterapia pelo SUS no mesmo período.

A SES-DF retornou informando que, no momento, os dados solicitados não estão disponíveis de forma consolidada devido à falta de integração dos sistemas de informação entre os serviços de saúde. Isso dificulta a centralização e organização dos atendimentos feitos por serviços conveniados na capital.

Embora não tenham sido divulgados números precisos, estima-se que a população autista do DF possa ser de cerca de 13 mil a 14 mil pessoas. A falta de uma plataforma unificada para reunir esses dados é um obstáculo para o planejamento e aprimoramento dos serviços de saúde destinados a essa população.

Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam a importância de consolidar essas informações para que haja um planejamento adequado e eficiente na rede pública de saúde. A falta de um banco de dados centralizado pode resultar em superlotação de unidades de saúde, filas de espera e escassez de profissionais capacitados. A integração de redes públicas e privadas, juntamente com investimento em tecnologias como inteligência artificial, são apontadas como possíveis soluções para essa problemática.

Enquanto a Secretaria de Saúde do DF não se pronuncia sobre projetos em andamento para conciliar esses dados, organizações não governamentais como o Instituto Steinkopf vêm realizando levantamentos próprios, como o Mapa Autismo Brasil (MAB), para reunir informações sobre a população autista. A falta de transparência e integração de dados na área da saúde acaba prejudicando a identificação e o atendimento adequado das pessoas com TEA na capital. O desafio para o governo local é criar mecanismos eficazes para o registro e compartilhamento de informações que possibilitem um cuidado mais qualificado e assertivo a essa parcela da população.

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