A gama de veículos eletrificados abrange não só os 100% elétricos, mas também os híbridos plug-in e híbridos convencionais. O presidente da ABVE, Ricardo Bastos, avaliou os resultados do DF como “expressivos”, destacando que esse progresso ultrapassa o crescimento em todo o país. Bastos atribui esse avanço a diversos fatores, incluindo as vantagens fiscais oferecidas, especialmente em relação ao Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o que representa uma atração direta para os consumidores. Além disso, o perfil do consumidor local, que demonstra interesse por novas tecnologias e uma preocupação com questões ambientais, tem contribuído para a adesão a esses veículos.
Embora Brasília tenha se destacado nas vendas, o crescimento da eletrificação enfrenta desafios estruturais. A predominância de residências verticais nas asas Norte e Sul da capital apresenta dificuldades na instalação de pontos de recarga. Delzio Oliveira, assessor jurídico do SindiCONDOMÍNIO-DF, comentou que a infraestrutura elétrica em muitos condomínios é inadequada para suportar a instalação de carregadores de veículos elétricos, um obstáculo que limita a adoção da tecnologia.
A legislação também tem avançado. Em agosto do ano passado, o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares publicou diretrizes focadas em segurança para áreas de estacionamento e sistemas de alimentação de veículos elétricos, estabelecendo parâmetros essenciais para evitar riscos e garantir a segurança nas instalações.
Adicionalmente, à medida que mais consumidores optam por veículos elétricos, a experiência de proprietários já se tornou comum. Rogério Markiewicz, um arquiteto de 61 anos, relata sua transição de um carro a combustão para um elétrico há uma década. Embora tenha enfrentado dificuldades iniciais relacionadas à falta de pontos de recarga, o proprietário percebeu uma economia significativa em seus gastos mensais com eletricidade, reduzindo despesas com combustíveis em até 75%.
Entretanto, a falta de oficinas especializadas e preocupações quanto à segurança das instalações nos condomínios continuam sendo temas discutidos. A ABVE e entidades associativas reconhecem a necessidade de melhorar a infraestrutura de recarga e garantir que as instalações sejam realizadas de acordo com as normas de segurança. Diante desse cenário, o GDF foi contatado para fornecer informações sobre incentivos e projetos relacionados à mobilidade elétrica, mas até o momento não se manifestou.
O futuro da eletrificação veicular no Distrito Federal parece promissor, mas a superação dos desafios existentes será crucial para o crescimento contínuo nesse setor em expansão.







