Dentro dessa disputa, o PL aparece como protagonista, movendo ações contra produções do PT, como um vídeo que supostamente associa Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master. O partido argumenta que a peça cria uma “narrativa visual de ilicitude”, configurando uma propaganda negativa que antecede o pleito. Apesar de as alegações terem base em conexões reais entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal, a interpretação da propaganda gerou polêmica e discussão jurídica.
O PT, por sua vez, não se fica atrás e também leva questões ao TSE, contestando conteúdos que insinuam ligações de Lula com corrupção. Um dos alvos é o vídeo “A grande quadrilha”, que menciona suspeitas sobre o filho do presidente. O partido acusa o PL de utilizar tecnologia de inteligência artificial (IA) de maneira irresponsável, explorando a situação eleitoral para desferir ataques.
O uso de ferramentas tecnológicas, especialmente a IA, se torna um ponto central nas estratégias dos partidos. O PT já entrou com uma ação contra um avatar criado por IA, chamado “Dona Maria”, que critica Lula e está gerando repercussão nas redes sociais. O partido aborda a questão com foco na responsabilidade das grandes plataformas digitais, exigindo uma rotulagem adequada para esses perfis.
A coordenação jurídica da campanha governista será liderada por Marco Aurélio de Carvalho, defensor de regulamentações mais rígidas sobre o uso de IA para evitar manipulação da opinião pública. A expectativa é que, ao contrário de 2022, em que Lula adotou uma postura mais defensiva, ele busque agora uma atuação mais agressiva.
Do lado do PL, as diretrizes jurídicas ficarão sob responsabilidade de Maria Claudia Bucchianeri, ex-ministra substituta do TSE, que, ao lado de Tracy Reinaldet, planeja garantir o direito de críticos do governo se manifestarem sem medo de remoções de conteúdo.
O PL também busca impedir que Lula utilize discursos em datas relevantes, como o Dia do Trabalhador, para promover seu governo, alegando que este poderia ser um uso eleitoral indevido da rede pública. Adicionalmente, uma pesquisa que apontava Lula à frente após o “caso Dark horse” — um episódio controverso envolvendo Flávio Bolsonaro e financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro — também foi contestada.
A nova composição do TSE, sob a presidência de Nunes Marques, é considerada pelos aliados de Flávio Bolsonaro uma potencial aliada às defesa de teses sobre liberdade de expressão. Entretanto, a imprevisibilidade das decisões judiciais gera um clima de cautela entre os envolvidos. Nunes Marques anunciou que as representações sobre propaganda eleitoral serão analisadas de forma célere, o que promete agitação nos próximos meses.
Além disso, o PL tem se posicionado contra medidas governamentais que regulam a internet, como o recente decreto de Lula que amplia as obrigações das plataformas em relação à remoção de conteúdos. Nesse panorama, o cenário político brasileiro tende a se complicar ainda mais, com as disputas sobre liberdade de expressão e moderação de conteúdo ganhando força no caminho em direção às eleições de 2026.
