Na última quinta-feira, Zema e Caiado ativaram suas respectivas agendas seminais em estados um do outro. Zema iniciou suas atividades em Anápolis, Goiás, onde visitou a indústria Kingspan Isoeste, situada em um dos principais polos agropecuários do estado. A visita foi seguida por uma reunião em Goiânia com representantes do Fórum das Entidades Empresariais de Goiás, que inclui líderes de diversos setores, entre eles, aqueles que atuam diretamente com o agronegócio. Essa estratégia de Zema visa aumentar sua interlocução com empresários e líderes fora de Minas Gerais, na tentativa de estreitar laços com um setor pouco acessado até o momento.
Enquanto isso, Ronaldo Caiado concentrou sua agenda em Belo Horizonte com foco em atividades diretamente relacionadas ao agro. O ex-governador participou de reuniões e palestras na Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais, que é uma referência importante para a entrada e diálogo com o setor agropecuário. Caiado tem compromissos programados para a capital mineira, inclusive passagens pelo Mercado Central, um local tradicional de interação política entre produtores e comerciantes.
Esse movimento é reflexo da estratégia distinta de cada candidato. Enquanto Zema busca expandir sua presença fora de Minas e explorar um estado onde Caiado possui apoio consolidado, o ex-governador tenta contornar a sua baixa representatividade em Minas Gerais — um dos grandes colégios eleitorais do país. Caiado vê no agronegócio uma via estratégica para aumentar sua influência nessa região, especialmente após o PSD liberar seu diretório estadual para apoiar o governador Mateus Simões, que está alinhado com Zema.
A disputa pelo apoio do agronegócio se intensificou nas últimas semanas. O pré-candidato Flávio Bolsonaro, ao participar da feira em Sinop, trouxe à tona um discurso que reflete uma conexão histórica com os produtores rurais, aludindo à sua posição contrária à demarcação de reservas indígenas e destacando a necessidade de medidas como crédito com juros mais baixos e redução da burocracia. Este movimento foi considerados por aliados como uma tentativa de reativar uma relação com o setor que se consolidou durante a campanha de 2018.
Contudo, o cenário atual apresenta uma competição mais acirrada, com a presença de Caiado e a mobilização de Zema abrindo espaço para uma maior diversidade de opiniões e alinhamentos entre os representantes do agronegócio. Nos bastidores, há uma análise emergente de que a distribuição de apoio pelo setor tende a ser mais equilibrada, com foco em compromissos concretos e menos alinhamento imediato a uma única figura. Apesar disso, o senador Flávio Bolsonaro é visto como o candidato a sair na frente, conforme indicam as pesquisas recentes, onde ele se apresenta com ligeira vantagem sobre outras figuras proeminentes, incluindo Luiz Inácio Lula da Silva.







