Durante sua fala, que durou cerca de cinco minutos, Flávio ressaltou que o atual “momento eleitoral” é o “pior possível” para a implementação das tarifas de 25% e alegou que o governo federal estaria explorando politicamente essa questão. Ele ainda aproveitou a oportunidade para defender o sistema de pagamentos digitais conhecido como Pix, que se tornou um dos alvos do governo americano.
As críticas ao senador não se restringiram apenas ao conteúdo de suas declarações. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência fez questão de destacar que Flávio estaria praticando “diplomacia clandestina da pior qualidade”, insinuando que sua intervenção tem mais a ver com ambições pessoais do que com o interesse nacional. Para ele, a mensagem transmitida pelo senador foi clara: um apelo para que as autoridades americanas não tomassem decisões até as eleições de outubro, em troca de promessas de colaboração futura.
Aliados de Lula argumentam que a fala de Flávio seguiu um roteiro previamente esperado, semelhante a um documento enviado ao congresso americano. Essa linha de defesa não teria conseguido dissociar o senador da imagem que ele próprio construiu em torno das tarifas, levando membros do governo a considerá-lo um oportunista em tempos eleitorais.
Essas manobras políticas podem ter repercussões negativas nas negociações em curso entre Brasil e Estados Unidos. O campo de atuação política que Flávio busca imprimir nas discussões pode complicar o tratamento de questões que, idealmente, deveriam ser abordadas sob uma ótica técnica e diplomática. Para o governo brasileiro, o foco deve permanecer nas tratativas institucionais, com a intenção de se evitar a implementação das tarifas.
Além do Pix, as investigações comerciais dos Estados Unidos avaliam outros aspectos relevantes, como as políticas relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais e questões ambientais. As manifestações coletadas durante os dois dias de audiência terão um papel crucial na formulação das recomendações que serão apresentadas ao governo americano antes da decisão que, por sua vez, deve ser divulgada em 15 de julho. O governo brasileiro já se prepara para novas conversas com Washington, estimando uma reunião entre os responsáveis de ambos os países em breve.





