Diretor do DNOCS, nomeado por Bolsonaro e exonerado por Lula, autoriza licitação alvo da PF na Operação Overclean e empresa investigada desvia R$40,7 milhões.

O Diretor do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), Fernando Marcondes Leão, está no centro de uma polêmica envolvendo a continuação de uma licitação alvo da Polícia Federal na operação Overclean. Mesmo após um parecer contrário da Advocacia-Geral da União (AGU), Leão autorizou a manutenção da licitação em 2021, resultando em contratos milionários com a empresa Allpha Pavimentações, investigada por suspeita de desvios e pagamento de propina a agentes públicos.

Nomeado em 2020 durante o governo de Jair Bolsonaro, Leão foi exonerado em janeiro de 2023 pela gestão de Lula, mas retornou ao cargo após pressão do Centrão. A licitação mantenida por ele, apesar do parecer contrário da Procuradoria Federal Especializada, resultou em contratos no valor de R$ 40,7 milhões para a Allpha Pavimentações, para serviços de engenharia e pavimentação asfáltica na Bahia.

O ex-coordenador do DNOCS, Lucas Lobão, é um dos investigados na operação Overclean e é apontado como parte de um grupo criminoso liderado por empresários corruptos. A Procuradoria Federal manifestou-se contra a continuidade da licitação, criticando a falta de detalhes e fundamentos na justificativa da contratação.

Mesmo diante das objeções da AGU, o DNOCS decidiu seguir adiante com a licitação, alegando necessidade de contratações frequentes e periódicas devido ao crescente volume de recursos. No entanto, uma auditoria da Controladoria-Geral da União constatou problemas na execução do contrato, resultando em prejuízo direto ao erário de cerca de R$ 8 milhões apenas nos contratos com a Allpha Pavimentações.

A Polícia Federal deflagrou a operação Overclean após as apurações da CGU, e Fernando Leão, diretor do DNOCS, não respondeu aos questionamentos enviados. A situação levanta sérias questões sobre a gestão e a transparência dos processos no órgão, trazendo à tona mais um escândalo de corrupção que envolve recursos públicos e agentes governamentais. A investigação continua e novos desdobramentos são esperados nas próximas semanas.

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