Vladimir Herzog, além de um profissional respeitado, foi professor no Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, onde influenciou a formação de muitos jovens comunicadores. Em um ofício direcionado ao filho do jornalista, Ivo Herzog, o reitor expressou que a homenagem também representa o reconhecimento do compromisso de Herzog com a comunicação pública, a defesa dos direitos humanos e a luta pela liberdade de expressão.
O Conselho Universitário da USP já havia aprovado a honraria em fevereiro deste ano, porém, a data da cerimônia de entrega ainda não foi divulgada. A postumidade do título ressalta a importância de reexaminar e reinterpretar o legado de figuras marcantes que foram silenciadas sob regimes opressivos, trazendo à tona discussões sobre a liberdade de imprensa e a necessidade de proteger os direitos fundamentais em contextos democráticos.
A trajetória de Herzog é marcada por sua morte trágica nas dependências do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, órgão responsável por torturas e assassinatos na época. Seu falecimento foi inicialmente certificado como um “suicídio”, uma narrativa que posteriormente foi desmontada, revelando a brutalidade do sistema repressivo militar.
Nascido em 1937 na antiga Iugoslávia, atualmente Croácia, Herzog se naturalizou brasileiro e iniciou sua carreira jornalística em 1959. Com passagens por importantes veículos de comunicação, como O Estado de S. Paulo e a BBC, ele se destacou como diretor de jornalismo da TV Cultura, além de lecionar telejornalismo na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). A homenagem da USP representa, portanto, não só um reconhecimento à sua trajetória pessoal e profissional, mas também uma reflexão sobre os desafios enfrentados por jornalistas em busca da verdade e da justiça em tempos sombrios.
