Recentemente, durante uma coletiva de imprensa, Joaquim Gonzales-Aleman, representante do Unicef no Brasil, destacou que a violência tanto em casa quanto fora dela se tornou uma preocupação premente nesta campanha. Ele salientou que a abordagem dos candidatos aos problemas relacionados à violência infantil deve ser adequada e não simplista, buscando uma discussão construtiva que leve a soluções efetivas.
Com a proximidade do prazo final para o registro de candidaturas, previsto para o próximo sábado, o Unicef se dedicará à análise das propostas apresentadas por candidatos aos cargos de presidente e governador. O foco será nas estratégias para enfrentar a preocupante realidade de assassinatos de menores de 18 anos, que ainda é alarmante no Brasil, mesmo com uma recente queda de 10,8% nas mortes violentas intencionais dessa faixa etária entre 2024 e 2025. Contudo, os números ainda são desoladores, com 2.079 registros de mortes violentas em um único ano, o que resulta em uma média de cinco crianças e adolescentes perdendo a vida diariamente.
Além de diagnosticar os problemas, o Unicef busca um comprometimento público por parte dos candidatos para priorizar o combate às mortes intencionais de jovens se eleitos. Essa campanha de advocacy busca não apenas levar a questão ao debate, mas também propor ideias que possam fundamentar um entendimento mais profundo sobre a violência, longe de soluções reativas e meramente emocionais.
Layla Saad, representante adjunta do Unicef, enfatizou que a exploração da temática deve ser feita com base em evidências, visando soluções que vão além de respostas punitivas. Apesar de o Brasil contar com legislações e programas relevantes para a proteção infanto-juvenil, ela destacou que a efetividade dessas medidas ainda é limitada, e uma política nacional robusta e integrada de prevenção à violência é essencial.
Cauê Martins, sociólogo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, reforçou a necessidade de transparência nos dados relacionados à violência e destacou que propostas como a redução da maioridade penal ignoram a realidade concreta vivida por adolescentes. Ele observou que a maior parte da violência sexual contra crianças ocorre no ambiente familiar, o que desafia estigmas comuns. Martins concluiu afirmando que a construção de políticas públicas eficazes deve ser sustentada por evidências claras e análise precisa da realidade, determinando que o diálogo deve ser fundamentado e produtivo, visando um futuro mais seguro para todos os jovens no Brasil.
