DIREITOS HUMANOS – Unicef e Fórum de Segurança cobram compromisso dos candidatos em reduzir a violência contra crianças e adolescentes nas eleições de 2026.

O Fundo da ONU para a Infância (Unicef) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública estão se unindo em uma iniciativa crucial voltada para a segurança de crianças e adolescentes no Brasil, com o cercado desafio de qualificar o debate político para as eleições de outubro de 2026. A parceria tem como objetivo pressionar os candidatos a se comprometerem, diante da população, a implementar políticas efetivas que visem reduzir a violência contra esse grupo vulnerável, que é frequentemente afetado em diversas dimensões de suas vidas.

Em uma coletiva de imprensa, Joaquim Gonzales-Aleman, representante do Unicef, enfatizou que a violência, tanto no ambiente familiar quanto fora dele, representa a principal preocupação da organização durante este período eleitoral. Ele destacou que a campanha não se limita a um apelo simplista, mas busca um diálogo qualificado em torno de temas urgentes. O planejamento inclui uma análise detalhada dos programas de governo apresentados pelos candidatos, a partir do término do prazo para registro de candidaturas, que se aproxima.

Além da análise, o Unicef pretende convidar os candidatos a formalizarem um compromisso público, no qual se comprometerão a priorizar ações que combatam as mortes intencionais de menores de 18 anos. Essa abordagem, explicada por Aleman, envolve ações de advocacy, que visam chamar a atenção para a urgência do tema e propor soluções efetivas que ultrapassem meras reações políticas a crises emergenciais.

Os dados disponíveis revelam que, apesar de uma queda de 10,8% nas mortes violentas de crianças e adolescentes entre 2024 e 2025, as 2.079 ocorrências registradas ainda expõem uma média alarmante de cinco mortes diárias – uma estatística que é, em sua maioria, composta por jovens negros entre 12 e 17 anos. Para a representante adjunta do Unicef, Layla Saad, é imperativo que a sociedade encare essa realidade como um problema estrutural, que demanda uma resposta abrangente e coordenada em todos os níveis de governo.

A atual legislação brasileira já conta com dispositivos que garantem proteção a crianças e adolescentes, mas os seus efeitos tendem a ser limitados, aumentando a necessidade de uma política nacional que oriente ações coordenadas e determine responsabilidades claras para estados e municípios.

Layla Saad criticou propostas punitivistas, como a redução da maioridade penal, argumentando que tais abordagens não tratam das raízes do problema. É fundamental que a política pública de segurança se baseie em evidências e dados concretos, que podem desmistificar percepções errôneas sobre a violência. Segundo o sociólogo Cauê Martins, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a realidade é mais complexa do que proposições simplistas podem sugerir. Com uma queda significativa nas internações de adolescentes por infrações, o foco precisa ser na prevenção, fomentando um diálogo aberto e responsável entre candidatos e a sociedade.

Assim, os esforços do Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública buscam não apenas qualificar o debate político, mas também mobilizar a sociedade em torno de um tema que não pode ser ignorado: a segurança e o bem-estar de nossas crianças e adolescentes. Este é um momento oportuno para que a população exija compromissos claros e sustentados de seus futuros representantes.

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