DIREITOS HUMANOS – “Sociólogo alertas sobre nova colonização: países ricos ameaçam comunidades tradicionais em busca de controle de recursos naturais essenciais”

Em um importante evento realizado na Universidade de Brasília (UnB), o sociólogo e ambientalista guineense Miguel de Barros, de 46 anos, lançou um alerta sobre os desafios enfrentados pelas comunidades tradicionais, tanto no Brasil quanto na África. Em meio ao 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores (as) Negros (as), Barros destacou que essas comunidades estão sob ataque por empresas de países desenvolvidos que buscam monopolizar as chamadas “terras raras”, essenciais para produtos tecnológicos e armamentistas.

A conferência, que se encerrará nesta sexta-feira, evidenciou a visão de Barros de um processo que ele descreve como um novo colonialismo. Segundo ele, esse movimento é impulsionado por interesses do Norte Global, que procura não apenas controlar recursos naturais, mas também manipular patentes e dominar a produção de bens estratégicos, tais como veículos elétricos e armamentos. O sociólogo enfatiza que o domínio sobre a Amazônia, por exemplo, representa controle sobre alimentação, energia e água, além de um poder militar significativo.

Durante seu discurso, Barros não poupou críticas às consequências desse neocolonialismo. Ele argumentou que o setor financeiro, aliado às tecnologias, não responde às necessidades das populações historicamente marginalizadas. A inteligência artificial e outras inovações, segundo ele, estão sendo utilizadas para acentuar a opressão, soterrando os conhecimentos e direitos dos povos afrodescendentes. Ele defendeu a urgência de criar uma contracorrente que dê suporte tecnológico e emancipação a essas comunidades.

Além disso, Barros abordou a questão da saúde pública, mencionando a ineficácia da gestão brasileira durante a pandemia, que falhou em atender adequadamente as necessidades do continente africano. “A transferência de tecnologia e medicamentos foi praticamente inexistente”, afirmou, lembrando que apenas um quarto da população africana recebeu duas doses da vacina contra a Covid-19 até o momento.

Em sua conclusão, o sociólogo reafirmou a importância do resgate dos saberes e práticas tradicionais como caminhos essenciais para a autonomia econômica e política das comunidades negras e tradicionais. Ele ressaltou a necessidade de um comprometimento acadêmico e governamental em apoiar essas formas de resistência, garantindo assim o direito à vida e dignidade dessas populações. As reflexões de Miguel de Barros evidenciam a profundidade das questões sociais e ambientalistas que permeiam a atualidade, ressaltando a urgência de um movimento global mais equitativo e justo.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo