O Brasil foi o último país nas Américas a abolir a escravidão, o que ocorreu em 1888. No entanto, a abolição não significou o fim da exploração da mão de obra. Leonardo Sakamoto, jornalista e diretor da ONG Repórter Brasil, ressalta que, apesar do fim formal do trabalho escravo, formas distintas de exploração continuam a existir, revelando que a mudança ocorreu mais na aparência do que na essência.
Passados 138 anos da abolição, formas de exploração, como a escravidão doméstica, permanecem ocultas em lares brasileiros. Um programa de TV, “Trabalho escravo doméstico: silêncio e servidão”, irá ao ar às 23h na TV Brasil, trazendo à tona relatos comoventes de vítimas e dos que atuam em sua libertação. A ministra Liana Chaib, do Tribunal Superior do Trabalho, destaca a angústia das vítimas: “A primeira pergunta é: para onde eu vou?”.
Depoimentos de pessoas como Suzana Salomono, que trabalhou por anos sem remuneração e se sentiu desamparada, revelam a gravidade da situação. Roberta dos Santos, de 46 anos, enfrentou uma rotina em que o alimento era considerado sua única forma de pagamento, enquanto Araci do Amaral, de 73 anos, sofreu agressões físicas e raciais de seus ex-patrões. Entre outras histórias, Maria Raimunda de 63 anos narra o sequestro do seu filho enquanto estava presa em uma situação de exploração.
Essas vivências enfatizam um perfil comum: mais da metade das vítimas possui até a quinta série de escolaridade e grande parte é negra, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego.
Para aqueles que se deparam com situações de trabalho análogo à escravidão, há formas de denúncia. O serviço é gratuito, 24 horas, e garante sigilo. Basta ligar para o número 100 ou utilizar WhatsApp e Telegram para buscar ajuda e encaminhar denúncias de abusos.







