DIREITOS HUMANOS – Oito em cada dez mulheres muçulmanas no Brasil são vítimas de islamofobia, revela estudo da USP sobre intolerância religiosa no país.

No Brasil, uma preocupante realidade emerge em relação à violência e discriminação contra mulheres muçulmanas. De acordo com um estudo recente, cerca de 80% dessas mulheres enfrentam episódios de islamofobia, um fenômeno que abrange intolerância e hostilidade motivadas pela fé islâmica. A pesquisa foi realizada pelo Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes da Universidade de São Paulo (USP), que analisou relatos de 328 mulheres, abrangendo tanto a vertente sunita quanto xiita do islamismo.

O estudo revela que a maioria das vítimas de islamofobia estão entre as brasileiras que se converteram ao islamismo. Aproximadamente 84,5% das denúncias de discriminação vêm desse grupo, que se destaca pela sua articulação comunitária. Os dados indicam que a experiência de discriminação é bastante variada, incidindo em diferentes esferas da vida dessas mulheres, seja nas ruas, na internet ou no ambiente de trabalho. Quase todas as participantes brasileiras revertidas relataram ter enfrentado discriminação em algum momento.

Os espaços públicos, especialmente aqueles com maior interação social, mostraram-se particularmente hostis, com 36,4% dos relatos de violência ocorrendo nas vias públicas. Além disso, o ambiente virtual também se destaca como um espaço de agressão, com o Instagram acumulando a maior parte dos casos de hostilidade, seguido pelo Facebook e TikTok. Essa situação é exacerbada pela falta de confiança das vítimas nas instituições responsáveis pela proteção, uma vez que apenas 6% das brasileiras revertidas se sentiram encorajadas a registrar um boletim de ocorrência, com a crença de que suas denúncias não seriam investigadas.

A violência psicológica e emocional é uma manifestação comum, com casos de assédio nas redes sociais e discriminação explícita no trabalho. Histórias de mulheres que mudaram de carreira ou que foram demitidas devido à sua fé ressaltam a seriedade dessa questão. Além disso, a desinformação a respeito do islamismo perpetua estigmas, como a associação das mulheres muçulmanas a comportamentos violentos.

Críticas à representação do islamismo na mídia também emergem, com especialistas apontando a falta de espaço e compreensão sobre a diversidade de experiências entre as mulheres muçulmanas, que muitas vezes são reduzidas a estereótipos de opressão. De acordo com a coordenadora do grupo de pesquisa, é urgente que a sociedade amplie a discussão sobre a fé islâmica e as realidades enfrentadas por essas mulheres, promovendo um diálogo mais inclusivo e respeitoso.

O cenário revela um descompasso entre as políticas de combate à intolerância e a realidade das mulheres muçulmanas no Brasil, que ainda enfrentam barreiras significativas para viverem sua fé de forma plena e segura. A ampliação da conscientização sobre essas questões é essencial para construir um ambiente mais justo e igualitário.

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