DIREITOS HUMANOS – Morto intelectual e ativista político quilombola Antonio Bispo, ou Nêgo Bispo

Neste domingo (3), a comunidade quilombola e o Brasil perderam um dos maiores intelectuais e ativistas políticos, Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo, que faleceu em São João do Piauí, aos 64 anos, devido a uma parada cardiorrespiratória. O velório está sendo realizado hoje (4) em sua casa, na comunidade quilombola Saco Curtume, em São João do Piauí, onde seu corpo será enterrado, atendendo ao seu pedido.

Nascido em 1959, Bispo era natural do Vale do Rio Berlengas, no Piauí, e era considerado um dos mais importantes intelectuais quilombolas do país. Apesar de formalmente ter completado apenas o ensino fundamental, ele foi bastante reconhecido por seus trabalhos, que incluem dois livros publicados e diversos artigos e poemas.

Além de sua atuação intelectual, Bispo também teve papel ativo na Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Piauí (CECOQ/PI) e na Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

As manifestações de pesar pela morte de Nêgo Bispo não ficaram restritas à comunidade quilombola. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e autoridades federais também lamentaram a perda e destacaram a importância do legado deixado por Bispo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, foram alguns dos que se manifestaram sobre a importância de Bispo para a cultura e identidade do povo negro brasileiro.

De acordo com a Conaq, Bispo foi apontado como “uma voz singular e significativa no âmbito da literatura e do pensamento quilombola”. Sua contribuição inestimável para a compreensão e preservação da cultura e identidade quilombola será lembrada e reverenciada por gerações.

A morte de Antônio Bispo dos Santos representa uma perda inestimável para a comunidade quilombola e para todos aqueles que reconheciam em seu pensamento e em sua luta uma fonte de inspiração e resistência. Que seu legado continue a inspirar e iluminar o caminho daqueles que seguem a luta pela valorização e reconhecimento das comunidades quilombolas.

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