DIREITOS HUMANOS – Ministério Público de São Paulo investiga ação policial em escola após denúncia de pai sobre atividade pedagógica envolvendo orixá e possíveis violações de direitos.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deu início a um inquérito civil para investigar a entrada de 12 policiais militares armados em uma escola municipal, ocorrida no dia 11 de novembro de 2025. O episódio foi desencadeado por uma denúncia feita por um pai de uma aluna de quatro anos, que se incomodou com uma atividade pedagógica que abordava a figura da orixá Iansã, uma importante divindade nas religiões afro-brasileiras.

O foco da investigação do MPSP é apurar se houve discriminação racial e atos de violência policial, além de examinar a adequação da educação nas relações étnico-raciais na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento, situada na Zona Oeste da cidade de São Paulo. Além disso, a situação levantou preocupações sobre o respeito às diretrizes de ensino que promovem a inclusão e a valorização da cultura afro-brasileira.

O pai da aluna, que também é policial militar, acabou sendo indiciado por intolerância religiosa pela Polícia Civil do Estado de São Paulo. A partir desse episódio, a promotoria coletou depoimentos, documentos e analisou gravações das câmeras corporais dos policiais envolvidos. As evidências até o momento não indicam a existência de um crime que justificasse a ação policial, levando o MPSP a classificar a operação como “injustificada”.

Em um relatório, o MPSP cita que a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-SP) concluiu preliminarmente que não havia necessidade de abrir um inquérito policial militar ou uma sindicância, corroborando a posição de que a ação dos policiais não se baseou em razões adequadas.

Além disso, a Secretaria Municipal de Educação (SME) ressaltou que a atividade pedagógica em questão estava alinhada com o Currículo da Cidade-Educação Infantil e as diretrizes de educação antirracista, conforme estabelecido nas leis federais de 2003 e 2008, que asseguram a inclusão da história e cultura afro-brasileira e indígena no currículo escolar.

Diante do conjunto de informações, o promotor de Justiça Bruno Orsino Simonetti decidiu aprofundar a investigação para avaliar se houve violação do direito à educação e se o direito à livre atividade pedagógica foi comprometido, refletindo a necessidade de uma educação que considere a história e cultura das diversas etnias presentes no Brasil.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo