DIREITOS HUMANOS – Ministério das Relações Exteriores Cria Vagas para Indígenas e Quilombolas em Concurso de Diplomatas, Promovendo Inclusão e Diversidade Histórica

Em uma decisão histórica, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil anunciou a reserva de vagas em seu próximo concurso público de admissão à carreira diplomática para pessoas indígenas e quilombolas. O edital, publicado pelo Instituto Rio Branco, que é a academia responsável pela formação de diplomatas, traz a oferta de 60 vagas, com um salário inicial de R$ 22.558. Este é um momento marcante não apenas na trajetória do Itamaraty, mas também na promoção da diversidade e inclusão no serviço público brasileiro.

Com a vigência da nova lei de cotas, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano passado, o concurso destina 39 vagas à ampla concorrência, três a pessoas com deficiência, 15 a negros (pretos e pardos), duas a indígenas e uma a quilombolas. As inscrições estarão abertas de 4 a 25 de fevereiro, com uma taxa de inscrição de R$ 229, que pode ser isentada para pessoas de baixa renda registradas no Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico).

A definição sobre quem é considerado indígena ou quilombola no concurso segue critérios que garantem a autoidentificação e o reconhecimento por suas respectivas comunidades, um aspecto fundamental para assegurar a representatividade verdadeira das comunidades. O edital determina que a verificação documental para esses candidatos será realizada por uma comissão composta maioritariamente por membros das próprias comunidades.

Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, celebrou a confirmação de vagas para indígenas, destacando que isso representa a realização de um sonho coletivo. O incentivo à inclusão de vozes indígenas em espaços de decisão é vista como um passo significativo em direção à criação de um estado mais representativo e justo. A ministra comentou que essa conquista é reflexo do empoderamento das lideranças indígenas na política, evidenciado pela criação do primeiro Ministério dos Povos Indígenas.

Além disso, a iniciativa busca promover jovens lideranças, que já participaram de negociações em conferências internacionais, colocando as questões das comunidades tradicionais nas pautas globais. O secretário de Políticas para Quilombolas e Comunidades Tradicionais, Ronaldo dos Santos, também ressaltou a importância das ações afirmativas, afirmando que a inclusão de indígenas e quilombolas na lei de cotas sinaliza um novo tempo no serviço público.

Os candidatos que optarem pelas vagas reservadas para indígenas terão a oportunidade de concorrer a uma bolsa-prêmio do Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco, que oferece financiamento para estudos preparatórios ao concurso, reconhecido como um dos mais desafiadores do Brasil. Essa medida visa garantir a preparação adequada para que esses novos representantes possam levar suas vozes e experiências para o cenário internacional, promovendo, assim, uma diplomacia mais plural e inclusiva.

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