No incidente, policiais militares foram acionados a comparecer à escola, situada no bairro do Butantã, após um pai ter notificado a polícia. O motivo da queixa foi um desenho feito por sua filha durante uma atividade escolar, que representava um orixá — uma figura central na religiosidade de originária da cultura Iorubá. Quatro policiais adentraram a instituição, armados, em resposta à solicitação do pai.
Em sua comunicação, o ministério destacou que a atividade de apresentação de orixás está em total conformidade com as leis nº 10.639, de 2003, e nº 11.645, de 2008, que regulamentam o ensino da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena nas escolas do país. Essas diretrizes visam proporcionar uma educação que ressignifique e valorize as identidades negras, quilombolas, indígenas e afro-brasileiras, integrando esses saberes ao ambiente acadêmico.
O ministério enfatizou a relevância desse conhecimento para a compreensão da identidade brasileira, construída a partir das raízes africanas e indígenas. Na nota, a pasta afirmou que seu compromisso é a promoção de políticas inclusivas que visem erradicar episódios de racismo e intolerância religiosa.
Além disso, a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo anunciou a abertura de um procedimento para investigar a conduta dos policiais envolvidos, incluindo a análise das imagens das câmeras corporais e do circuito interno da escola. O órgão ressaltou que as evidências de racismo religioso são alarmantes e requerem uma apuração rigorosa.
A Ouvidoria também observou que, como o pai da aluna é um servidor da segurança pública, um segundo procedimento foi iniciado para avaliar sua conduta. O relato da diretora da escola e outros depoimentos coletados até o momento confirmam que a atividade educacional estava em linha com as normas legais. A persuadida necessidade de responsabilização robusta para comportamentos de intolerância é reiterada, sob o risco de promover ainda mais desigualdade e violência em sociedades que prezam pelo amor e pela tolerância.







