DIREITOS HUMANOS – “Memória e Justiça: Professora Victória Grabois Luta por Verdade e Abertura de Arquivos sobre Desaparecidos da Ditadura”

Memória e Justiça: O Legado de Victória Grabois e as Retificações de Óbito

A história de Victória Grabois é uma narrativa marcada pela dor e pela luta incessante por justiça e memória. Em 1973, um dos períodos mais sombrios da história brasileira, a professora e ativista perdeu três integrantes de sua família: seu pai, Maurício Grabois, seu irmão, André, e seu marido, Gilberto Olímpio, assassinados por agentes do Estado na região da Serra do Araguaia. Esses homens eram guerrilheiros que se opuseram à ditadura militar vigente, defendendo a liberdade e a democracia.

Em entrevista, Victória, que hoje possui 82 anos, expressou sua frustração ao afirmar que a esperança de saber concretamente o que aconteceu com seus entes queridos diminuiu ao longo dos anos. Contudo, sua determinação em manter viva a memória desses homens é indomável: “Não posso parar e faço tudo o que eu puder fazer para divulgar a memória e acabar com o silenciamento”, disse.

Na próxima terça-feira, um evento na Universidade Federal da Bahia (UFBA) vai marcar um momento simbólico para muitas famílias que, como a de Victória, buscam por justiça. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, juntamente com a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, entregará 27 atestados de óbito retificados, um passo importante na reparação histórica. Neste contexto, o documento referente a Maurício Grabois, deputado constituinte de 1946, agora reconhecerá sua causa de morte como “ação violenta do Estado”.

Victória, que não poderá comparecer ao evento, pede ações concretas, além da correção nos atestados, para que o Estado realize investigações mais profundas sobre as vítimas da ditadura.

O movimento “Tortura Nunca Mais” também participará de homenagens especiais. Recentemente, a medalha “Chico Mendes” foi conferida a defensores dos direitos humanos, incluindo mães que perderam filhos para a violência policial. Victória destacou a importância da cultura no fortalecimento da memória, observando que os últimos filmes brasileiros indicados ao Oscar, que retratam a ditadura, ajudaram a abrir discussões sobre esse tema nas escolas e na sociedade.

Enquanto a luta por justiça continua, desafios ainda persistem. Eugênia Gonzaga, presidente da comissão responsável pela retificação de certidões, ressaltou a necessidade urgente de abrir os arquivos das Forças Armadas, ainda lacrados em muitos aspectos, e a falha do sistema judiciário em oferecer respostas definitivas às famílias que buscam por clareza sobre o passado.

As histórias de vítimas como Maurício Grabois permanecem vivas através de vozes como a de Victória, que, apesar da dor, continua a travar uma luta incansável por verdade e justiça em um Brasil que ainda se reconstrói a partir de suas feridas históricas.

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