Curiosamente, em 2015 não se registrou nenhuma ocorrência desse tipo. O marco inicial desse contexto de hostilidade ocorreu em 2016, quando Dilma Rousseff foi deposta. Desde então, a perseguição política a mulheres tem se intensificado. Em 2023, já sob um novo cenário no Congresso Nacional, com uma renovação considerável na composição das Casas, foram contabilizados 11 casos. O ápice dessa situação foi registrado no ano anterior, quando 30 mulheres sofreram tentativas de cassação.
As vereadoras têm sido as principais vítimas desse fenômeno, respondendo por 73% dos casos. Em contrapartida, o ataque a parlamentares estaduais e federais representa apenas 20% das ocorrências. Essa dinâmica parece indicar que a identidade de gênero, combinada com o poder que essas mulheres exercem ao ocuparem posições de decisão, torna-as alvos preferenciais. O estudo também ilustra um conceito do movimento feminista, conhecido como “backlash”, que se refere a uma reação organizada contra os avanços conquistados por mulheres.
Em termos de afiliação partidária, quase 40% das mulheres atacadas pertencem ao Partido dos Trabalhadores (PT) ou ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Por outro lado, as agressões são predominantemente perpetradas por representantes de partidos conservadores, como o Partido Liberal (PL) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Os agressores, em sua maioria, são homens cisgêneros, e essa predominância sugere que as tentativas de cassação estão ligadas não apenas à condição de gênero, mas também a posicionamentos e agendas políticas.
Os especialistas que conduziram o estudo reconhecem que essa assimetria evidencia uma hostilidade estrutural contra mulheres em posições progressistas, frequentemente orquestradas por bancadas conservadoras. Além disso, é importante mencionar que, dentro do mesmo espectro partidário, ocorrem também disputas internas que levam a tentativas de cassação, evidenciando o complexo jogo de poder que envolve esses conflitos. Mulheres que desafiam as hegemonias políticas, seja por suas ideologias ou pela busca por renovação, se tornam alvos da violência institucional que permeia a política brasileira atual.





