DIREITOS HUMANOS – Mais de 5 mil pessoas resgatadas do trabalho escravo em Minas Gerais nos últimos 13 anos: dados alarmantes divulgados pela SRTE/MG.

Durante os últimos 13 anos, a Superintendência Regional do Trabalho em Minas Gerais (SRTE/MG) realizou um trabalho incansável na busca e resgate de pessoas em situações análogas à escravidão. Ao todo, foram resgatadas 5.651 pessoas nesse período, em um esforço que envolveu a fiscalização de 1.042 empresas e 43.806 empregados.

Os dados revelam a gravidade da situação encontrada pelos auditores-fiscais do Trabalho, que não mediram esforços para assegurar os direitos dos trabalhadores. Durante as ações de fiscalização, 4.566 trabalhadores tiveram seus contratos formalizados no curso do ato fiscal, evidenciando a importância da regularização das relações trabalhistas.

No entanto, o cenário não é apenas de resgate e formalização. Infelizmente, o número de casos de trabalho análogo ao de escravo identificados chega a 7.731, evidenciando a persistência desse problema no país. A atuação dos auditores-fiscais resultou na lavratura de 10.665 autos de infração, que culminaram no pagamento de seguro-desemprego para 5.475 trabalhadores.

Em 2026, especificamente, foram resgatados 416 trabalhadores em situação análoga à escravidão, reforçando a necessidade contínua de combate a essa prática desumana. Nesse contexto, o trabalho escravo ganha destaque no seminário “Entre a Norma e o Real: Desafios e Perspectivas do Mundo do Trabalho”, que será realizado nos dias 20 e 21 na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte.

O evento, promovido pela Delegacia Sindical de Minas Gerais do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (DS-MG/SINAIT) em parceria com a Clínica de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas da Faculdade de Direito da UFMG (CTETP/UFMG), busca aproximar a experiência da fiscalização do debate acadêmico e jurídico. Segundo o diretor da DS-MG, auditor-fiscal do trabalho Rogério Lopes da Costa Reis, a legislação estabelece direitos fundamentais para a proteção dos trabalhadores, mas a realidade encontrada revela violações que demandam medidas concretas de enfrentamento.

Além do combate ao trabalho escravo, os auditores-fiscais também atuaram na proteção de pessoas vítimas de tráfico, com 3.676 resgatadas no período de 2013 a 2026. Costa Reis ressaltou a importância de prevenir a exploração do tráfico de pessoas, evitando que essas situações se caracterizem como trabalho análogo ao de escravo.

O trabalho dos auditores-fiscais do Trabalho em Minas Gerais é um exemplo de dedicação e compromisso com a defesa dos direitos trabalhistas. Mesmo diante de resistências e desafios, esses profissionais permanecem firmes na missão de garantir a dignidade no mundo do trabalho e combater qualquer forma de exploração.

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