DIREITOS HUMANOS – Mais de 1,7 mil jornalistas assassinados em 20 anos; em 2024, 54 mortos no exercício da profissão, aponta ONG.

Em um levantamento feito pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), foi constatado que nos últimos 20 anos mais de 1,7 mil jornalistas foram assassinados em todo o mundo, seja enquanto estavam trabalhando ou em decorrência de suas atividades profissionais. Apenas em 2024, 54 jornalistas foram mortos, sendo 52 homens e duas mulheres. Esse é considerado o ano com o maior número de casos de jornalistas mortos em meio a conflitos armados.

De acordo com Artur Romeu, diretor do escritório da RSF para a América Latina, em entrevista à Agência Brasil, muitos profissionais de imprensa estão sendo vistos como potenciais reféns por grupos ou países em conflito, o que tem aumentado a violência contra esses profissionais. A Palestina foi um dos locais mais letais para jornalistas em 2024, com 16 profissionais mortos devido ao conflito entre Israel e o Hamas.

Além da Palestina, outros países também registraram mortes de jornalistas, como Paquistão, Bangladesh, México, Sudão, Birmânia, Colômbia, Líbano, Ucrânia, Chade, Indonésia, Iraque e Rússia. A situação dos jornalistas em zonas de conflito vai além dos assassinatos, com muitos profissionais presos ou sequestrados.

Em relação à China, foi apontado que é o país com mais jornalistas presos, seguido pela Birmânia e Israel. A situação dos jornalistas também é preocupante nas redes sociais, onde inúmeras postagens ofensivas foram direcionadas a profissionais da imprensa durante o período eleitoral. A RSF defende a regulamentação das plataformas de redes sociais para garantir maior responsabilização das empresas em relação ao conteúdo veiculado.

Além disso, a organização expressa preocupação com a volta de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos e com a situação na Síria após a queda de Bashar al-Assad. Segundo Artur Romeu, a beligerância de Trump contra a imprensa faz parte de uma estratégia política que vem se repetindo em diversas partes do mundo. A RSF alerta para o aumento da instabilidade no Oriente Médio, o que pode resultar em mais jornalistas mortos e em um cenário mais complexo para a cobertura jornalística.

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