DIREITOS HUMANOS –

Justiça Recebe Ação da DPU e DPRJ para Proteger a População em Situação de Rua do Calor Extremo no Rio de Janeiro

Ações Judiciais Buscam Proteger População em Situação de Rua no Rio de Janeiro Frente ao Calor Extremo

Em uma ação impactante, a Defensoria Pública da União (DPU) e a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) acionaram o poder judiciário fluminense com a finalidade de obrigar o município a adotar medidas específicas voltadas à proteção da população em situação de vulnerabilidade, especialmente os sem-teto, durante períodos de calor excessivo.

O pedido judicial salienta que esta parcela da população depende crucialmente de fontes públicas de água e da solidariedade dos estabelecimentos comerciais locais, que, atualmente, enfrentam dificuldades e já estão limitando ou cortando o fornecimento de água. A solicitação inclui ações urgentes, como:

  • Distribuição imediata de água potável e protetor solar;
  • Disponibilização de banheiros e bebedouros em locais de alta circulação;
  • Criação de pontos de resfriamento para os mais vulneráveis.

Além das medidas para a população, houve um pedido de que os agentes públicos que atuam diretamente nas ruas, como profissionais de assistência social e saúde, sejam contemplados com pausas para hidratação e refresco, tudo em resposta aos rigorosos efeitos das altas temperaturas.

No entanto, há um aspecto crucial a ser considerado: a remoção forçada de pessoas em situação de rua é vista como uma violação aos direitos humanos, e medidas coercitivas devem ser evitadas sem garantias adequadas de acolhimento e proteção.

A DPU e a DPRJ não apenas solicitam que o município adote essas ações, mas também pleiteiam uma indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos, argumentando que a inércia do estado diante da crise climática agrava a violação dos direitos fundamentais.

Atualmente, o Rio de Janeiro enfrenta um cenário alarmante, com recordes de temperatura e aumento no número de atendimentos médicos relacionados a doenças causadas pelo calor. Com a população de rua estimada em mais de sete mil pessoas, a rede de acolhimento disponível é extremamente insuficiente, contando com apenas 2.688 vagas.

Outra demanda se refere à criação de um Comitê Intersetorial, com o objetivo de monitorar e avaliar políticas públicas que garantam direitos e inclusão para essas pessoas. Os órgãos também sublinham a importância de agir corretamente para atender as diretrizes impostas pelo Supremo Tribunal Federal.

Diante destas demandas, a Procuradoria Geral do Município afirmou que ainda não foi notificada sobre a ação e enfatizou que já se encontra em tratativas com o Ministério Público para a atualização de um termo de ajustamento de conduta, relevante para o bem-estar da população em situação de rua.

Essas medidas refletem uma crescente preocupação com a proteção dos direitos humanos e a necessidade de ações efetivas para assegurar a dignidade e segurança das pessoas mais vulneráveis, especialmente em tempos de adversidade climática. O desrespeito a tais direitos não pode ser tolerado, e a sociedade civil continua a pressionar por um sistema que reconheça e proteja as necessidades de todos os cidadãos.

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