Mãe Bernadete, ícone da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e fervorosa defensora de seus direitos e territórios, foi cruelmente assassinada em sua residência no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. O crime ocorreu em 17 de agosto de 2023, quando homens armados invadiram a comunidade, mantendo familiares em cativeiro antes de assassinar a ialorixá com 25 disparos. A tragicidade do evento ganhou ainda mais relevância por ocorrer após diversas denúncias de ameaças contra sua vida e sua participação em um programa de proteção a defensores de direitos humanos do governo.
A Anistia Internacional ressaltou que “justiça por Mãe Bernadete é justiça para comunidades quilombolas em todo o país”, enfatizando a necessidade de uma resposta à altura do governo diante desse crime hediondo. O pronunciamento da organização sublinha o atraso no processo judicial e a pressão por medidas efetivas que assegurem a segurança de defensores de direitos humanos e de suas comunidades.
Os réus enfrentam acusações graves, incluindo homicídio qualificado por motivo torpe, crueldade com impossibilidade de defesa e uso de armas de fogo de uso restrito. Além disso, Arielson está sendo processado por roubo. O julgamento está ocorrendo no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, após a decisão de desaforamento do processo devido à alta repercussão do caso.
Durante a sessão, que conta com a juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos no comando, a acusação e a defesa irão apresentar seus argumentos. Ontem, foram sorteados os jurados que decidirão sobre a culpa ou inocência dos acusados. O caso se torna emblemático não apenas pela brutalidade do crime, mas também pela luta contínua por justiça e proteção de líderes comunitários que enfrentam realidades de risco em defesa de seus direitos e territórios. Enquanto isso, a sociedade aguarda ansiosamente por justiça e a responsabilização dos envolvidos, incluindo outros três denunciados que ainda não têm data para julgamento.
