A líder da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, expressou sua preocupação com a segurança e os direitos dos defensores do território, reiterando que é dever do Estado assegurar proteção e justiça para aqueles que se arriscam para defender seus direitos. Segundo Werneck, o julgamento de Mãe Bernadete deve se constituir em um símbolo não apenas para sua família e sua comunidade quilombola, mas para todos os defensores de direitos humanos no Brasil, galvanizando um movimento mais amplo por justiça e reparação.
O crime em questão não é um caso isolado; representa um padrão alarmante de violência, racismo e conflitos de terras que afligem comunidades quilombolas. A militante reiterou a expectativa de que o tribunal atue de forma independente e busque a responsabilização de todos os envolvidos nas atrocidades cometidas contra defensores de direitos humanos, salientando que a defesa desses direitos não deve resultar em perda de vida.
Maria Bernadete Pacífico, ou Mãe Bernadete, foi cruelmente assassinada em sua residência situadas no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, onde foi atingida por 25 disparos. Arielson, um dos acusados, está atualmente preso preventivamente, enquanto Marílio se encontra foragido. Ambos são acusados de homicídio qualificado, incluindo feminicídio, em um caso que mancha a luta por direitos humanos no Brasil e traz à tona a necessidade urgente de proteção para aqueles que enfrentam ameaças por sua militância.
Mãe Bernadete tinha denunciado várias ameaças e fazia parte do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, evidenciando as falhas de um sistema que deveria garantir segurança a quem defende os direitos fundamentais. O julgamento, portanto, não é apenas uma questão de justiça individual; é um reflexo mais amplo das lutas enfrentadas por comunidades marginalizadas e dos compromissos do Estado em proteger seus cidadãos.
