Foram analisados 76,3 mil vídeos totalizando quase 4 bilhões de visualizações e 23 milhões de comentários. Desses, 137 canais do Youtube foram selecionados por apresentarem conteúdo explicitamente misógino. O relatório intitulado “Aprenda a evitar ‘este tipo’ de mulher: estratégias discursivas e monetização da misoginia no YouTube” destaca as estratégias de discurso e monetização utilizadas por esses canais, que publicaram mais de 105 mil vídeos nos últimos seis anos.
Segundo Luciane Belin, coordenadora da pesquisa, a definição do que é misoginia é um dos desafios enfrentados, essencial para combater a disseminação desses discursos. O relatório considera misoginia não apenas o ódio manifesto contra mulheres, mas também qualquer forma de desprezo, aversão e tentativa de controle que justifique a violência de gênero.
Os influenciadores misóginos fazem generalizações baseadas em determinados perfis de mulheres, atacando mães solteiras, por exemplo, sob o pretexto de promover o desenvolvimento pessoal masculino. A monetização desse tipo de conteúdo não se limita ao Youtube e vem aumentando nos últimos anos, em meio ao crescimento da violência contra as mulheres.
A diretora do NetLab, Marie Santini, destacou que cerca de 80% dos canais analisados recebem dinheiro do Youtube através da publicidade. Além disso, os criadores de conteúdo encontraram outras formas alternativas de monetização, como doações, transferências bancárias, venda de produtos e serviços, e utilização de plataformas de crowdfunding.
A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, ressaltou a importância da regulamentação das redes sociais para combater o discurso de ódio e a violência contra as mulheres. O diálogo com o Parlamento e a sociedade, bem como a criação de conteúdos alternativos e a pressão sobre as plataformas que remuneram a divulgação de conteúdo misógino, são estratégias defendidas pelo Ministério das Mulheres. A Agência Brasil entrou em contato com o Youtube para obter posicionamento sobre o assunto.





