Enquanto os representantes indígenas bloqueavam o acesso ao terminal em Santarém, a aproximadamente 3.200 quilômetros de distância, em São Paulo, ambientalistas e membros de organizações sociais se reuniam em frente ao escritório central da Cargill, bloqueando duas faixas da Avenida Chucri Zaidan. A multinacional Cargill descreveu as mobilizações como “violentas”, ressaltando que, apesar de uma ordem judicial para a desocupação da área, os manifestantes continuam impedindo a passagem de caminhões.
Em resposta aos eventos em Santarém, a empresa relatou que, ao perceber a iminência da ocupação, seus funcionários buscaram abrigo em um local seguro. Até o momento, não foram registrados feridos entre trabalhadores ou manifestantes, e a Cargill continua a avaliar possíveis danos a equipamentos.
O Cita, por sua vez, expressou que a ocupação do escritório foi motivada pela frustração em relação à não revogação do decreto, que, segundo eles, compromete a qualidade da água, a pesca e a integridade das florestas. “Estamos aqui porque defendemos o direito de existir”, afirma a organização, que também destaca seu desejo de não tratar a situação como uma questão de segurança pública, mas sim como uma luta por justiça socioambiental.
Além de solicitar esclarecimentos sobre os critérios que levaram à privatização dos rios da região, os indígenas exigem um compromisso concreto para a revogação do decreto e o respeito ao direito de consulta prévia sobre projetos que afetem seus territórios.
A Secretaria-Geral da Presidência da República informou que está monitorando as mobilizações indígenas e reafirmou o compromisso de realizar consultas prévias aos envolvidos sobre os impactos dos empreendimentos. A administração federal anunciou, inclusive, a suspensão de um processo de dragagem no Rio Tapajós como uma “ação de negociação”, buscando um diálogo com as comunidades em questão.
A situação permanece tensa e o desfecho dos protestos ainda é incerto, mas a mobilização dos povos indígenas e seus aliados evidencia a crescente luta por direitos e pela preservação ambiental.
