A urgência dessa demanda é ressaltada por Paulino Montejo, assessor político da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (API), que destacou que a CNV já identificou o assassinato de ao menos 8.350 indígenas durante o período em questão. A Comissão, instituída em 2012, tinha como objetivo investigar as violações de direitos humanos e produziu um relatório final em dezembro de 2014, no qual foram recomendadas ações para fortalecer a democracia e evitar a repetição dos crimes.
A professora Elaine Moreira, da Universidade de Brasília, enfatiza a importância da luta por justiça, que deve estar fundamentada na memória, na verdade e na reparação. Segundo ela, a “Justiça de Transição” implica resgatar a memória histórica para garantir que os eventos de violência não se repitam. “Os indígenas nunca esqueceram das violações”, afirma, sublinhando a necessidade de um reconhecimento oficial e da verdade histórica.
O procurador regional da República, Marlon Alberto Weichert, que coordena a Comissão Memória Verdade e Defesa da Democracia da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, reforça que a proposta da comissão deve centralizar os povos indígenas na elaboração da narrativa histórica sobre as violações e promover a reparação integral. Este esforço inclui sensibilizar a população não indígena sobre a verdadeira história, contada por aqueles que sofreram diretamente as consequências.
O Fórum Memória, que reúne organizações indígenas, o Ministério Público Federal, e especialistas da sociedade civil, organizou, no último dia 6, uma plenária focada em Memória, Verdade e Justiça para os Povos Indígenas. Essa atividade integra a programação do Acampamento Terra Livre, que ocorre no Eixo Cultural Ibero-Americano em Brasília, com a participação de milhares de indígenas até o dia 11 de outubro. A mobilização reflete a necessidade urgente de reconhecimento e justiça em relação à história de violações e a busca por um futuro em que tais atrocidades não se repitam.
