DIREITOS HUMANOS – Indígenas no Acampamento Terra Livre cobram criação de comissão para investigar violações de direitos humanos entre 1946 e 1988 no Brasil.

No Acampamento Terra Livre 2026, os participantes se mobilizam em busca de justiça e visibilidade para as atrocidades cometidas contra comunidades indígenas no Brasil entre 1946 e 1988. A principal demanda é a criação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade, que deverá aprofundar as investigações sobre as violências perpetradas por agentes do Estado durante esse período. Esta iniciativa faz parte de um conjunto de 13 recomendações da Comissão Nacional da Verdade, emitido em 2014, que visa reparar as graves violações de direitos humanos enfrentadas pelos povos indígenas ao longo da história.

A urgência dessa demanda é ressaltada por Paulino Montejo, assessor político da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (API), que destacou que a CNV já identificou o assassinato de ao menos 8.350 indígenas durante o período em questão. A Comissão, instituída em 2012, tinha como objetivo investigar as violações de direitos humanos e produziu um relatório final em dezembro de 2014, no qual foram recomendadas ações para fortalecer a democracia e evitar a repetição dos crimes.

A professora Elaine Moreira, da Universidade de Brasília, enfatiza a importância da luta por justiça, que deve estar fundamentada na memória, na verdade e na reparação. Segundo ela, a “Justiça de Transição” implica resgatar a memória histórica para garantir que os eventos de violência não se repitam. “Os indígenas nunca esqueceram das violações”, afirma, sublinhando a necessidade de um reconhecimento oficial e da verdade histórica.

O procurador regional da República, Marlon Alberto Weichert, que coordena a Comissão Memória Verdade e Defesa da Democracia da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, reforça que a proposta da comissão deve centralizar os povos indígenas na elaboração da narrativa histórica sobre as violações e promover a reparação integral. Este esforço inclui sensibilizar a população não indígena sobre a verdadeira história, contada por aqueles que sofreram diretamente as consequências.

O Fórum Memória, que reúne organizações indígenas, o Ministério Público Federal, e especialistas da sociedade civil, organizou, no último dia 6, uma plenária focada em Memória, Verdade e Justiça para os Povos Indígenas. Essa atividade integra a programação do Acampamento Terra Livre, que ocorre no Eixo Cultural Ibero-Americano em Brasília, com a participação de milhares de indígenas até o dia 11 de outubro. A mobilização reflete a necessidade urgente de reconhecimento e justiça em relação à história de violações e a busca por um futuro em que tais atrocidades não se repitam.

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