O conflito tem suas raízes no passado, quando os indígenas tiveram suas terras reduzidas pela ação de integração promovida pelo extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e pela construção da Barragem do Norte na década de 1990, que resultou na inundação de parte do território do povo Laklãnõ. Somente em 1998 a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) iniciou o processo de revisão da demarcação da TI Ibirama-Laklãnõ, visando reparar o confinamento imposto injustamente aos Xokleng pelo Estado.
Durante o processo de revisão, agricultores que ocuparam as terras retiradas dos indígenas passaram a questionar judicialmente a ampliação da TI, que foi estendida de 15 mil hectares para 37 mil hectares e engloba os municípios de Vítor Meireles, José Boiteux, Doutor Pedrinho e Itaiópolis.
A revogação da tese do marco temporal é de vital importância para os indígenas, uma vez que eles estavam destituídos de suas terras no momento da promulgação da Constituição Federal atual. Essa decisão garante que a reparação do tamanho da área seja concluída. No entanto, é exatamente esse entendimento que tem motivado as ameaças sofridas pelos Xokleng. Segundo Tucun Gakran, alguns colonos têm expressado publicamente a ideia de que “se a terra for demarcada, haverá derramamento de sangue.”
A região já testemunhou episódios de violência e intolerância no passado. Em 2018, o educador indígena Marcondes Namblá foi brutalmente assassinado a pauladas, e as imagens capturadas por uma câmera de segurança revelaram a tensão existente na região. Diante desse contexto, Tucun destaca a preocupação com a integridade dos povos indígenas que habitam o local e afirma que essa questão será discutida entre os caciques assim que retornarem de Brasília, onde acompanharam os debates sobre o marco temporal.
As ameaças enfrentadas pelos indígenas do povo Xokleng são um reflexo das tensões e conflitos que existem em relação ao direito à terra no Brasil. É fundamental que as autoridades atuem de forma efetiva na proteção dos indígenas e na garantia de seus direitos. A justiça deve prevalecer, e as ameaças e violências devem ser combatidas e punidas de acordo com a lei.
