De acordo com o líder indígena Ronaldo Amanayé, além dos desmatamentos, os indígenas enfrentam ameaças de invasores, uso de agrotóxicos e poluição das águas. A Funai, segundo Amanayé, nunca atuou efetivamente na região, deixando os indígenas praticamente desamparados em relação ao acesso a políticas públicas essenciais.
Um estudo realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) revelou que nos últimos anos a reserva Amanayé foi intensamente afetada pela extração ilegal de madeira. Cerca de 3 mil hectares foram desmatados, conforme apontado pelo estudo.
O procurador da República responsável pelo processo também destacou que a falta de ação do Estado e da Funai tem levado a uma dispersão dos indígenas devido à pressão de fazendeiros que têm invadido a área para a prática de monoculturas.
Atualmente, a reserva que antes abrigava 244 indígenas do povo Amanayé, conta apenas com 125 pessoas distribuídas em 26 famílias. Muitos indígenas têm deixado a região devido aos conflitos e à dificuldade em praticar um manejo sustentável do local.
A ação movida pelo Ministério Público Federal busca a urgente demarcação da área indígena e também solicita uma reparação financeira no valor de R$ 3 milhões para desenvolver ações que atendam às necessidades dos indígenas. A Funai, que deveria cuidar da proteção dos indígenas, tem respondido à comunidade alegando falta de recursos e pessoal para dar continuidade ao processo de demarcação.
Criada em 1945, a reserva indígena Amanayé ainda aguarda o reconhecimento final de suas terras, enquanto os indígenas enfrentam problemas decorrentes da falta de ação do Estado. A situação precisa ser urgentemente resolvida para garantir os direitos e a sobrevivência do povo Amanayé.