DIREITOS HUMANOS – HRW aponta aumento da violência policial no Brasil, com mais de 6 mil mortes em 2022, a maioria de pessoas negras.

A violência policial no Brasil tem sido uma preocupação constante nos últimos anos. De acordo com a Human Rights Watch (HRW), a tendência negativa de mortes causadas pela polícia só tem aumentado desde 2018. O diretor do escritório da ONG no Brasil, César Muñoz, enfatizou que o número de mortes causadas pela polícia ultrapassou os 6 mil em 2018 e continua nesse mesmo patamar desde então.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2022 foram mortas por policiais em serviço e de folga cerca de 6,4 mil pessoas no país, e um alarmante 80% dessas vítimas eram pessoas negras. Em São Paulo, houve um aumento no número de mortes por policiais em serviço em 2023, após uma queda de 59% em dois anos.

A HRW destacou a chamada Operação Escudo, que resultou na morte de 28 pessoas pela polícia em Guarujá e Santos, no litoral paulista, em apenas 40 dias. A organização identificou problemas críticos na investigação, como falhas na qualidade das perícias, o que dificulta o controle da atividade policial no país.

Para enfrentar esse problema, Muñoz acredita que é necessária uma política nacional para diminuir o número de mortes causadas pela polícia, bem como uma prioridade nacional em melhorar a qualidade das perícias e implementar diretrizes para a utilização de câmeras corporais pelos policiais em todo o país. Ele destacou que a letalidade policial está diretamente ligada à corrupção dos agentes do Estado, pois o policial abusivo tem o poder de extorquir e abusar da população com impunidade.

A diretora para as Américas da HRW, Juanita Goebertus, também comentou a crise de segurança no Equador, afirmando a importância de investigações para combater o crime e cortar as conexões que permitem que organizações criminosas cresçam e se mantenham ao longo dos anos.

Por fim, a reportagem entrou em contato com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo para pedir um posicionamento a respeito do assunto. O país ainda aguarda respostas e ações efetivas para lidar com esse problema crescente de violência policial.

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