Este levantamento estatístico, que começará entre os dias 3 e 7 de julho de 2028, representará um marco na coleta de dados, uma vez que, desde o primeiro censo, realizado em 1872, o IBGE não incluía indivíduos sem um domicílio fixo. A etapa inicial do censo abrangerá cinco capitais, uma em cada região do Brasil: Belo Horizonte, Goiânia, Florianópolis, Manaus e Salvador. Com isso, espera-se obter informações que possibilitem a formulação de políticas públicas mais precisas e eficazes para abordar as necessidades dos cidadãos em situação de rua.
O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, ressaltou a importância dessa iniciativa: “A partir de agora, nós teremos a informação que inclui os brasileiros que não têm um domicílio fixo”, enfatizando que isso permite uma compreensão mais fiel da realidade. Ele defendeu que, com uma metodologia robusta, este censo não apenas revelará dados novos, mas também corrigirá disparidades históricas nas estatísticas demográficas do país.
As autoridades presentes, como o ministro da Secretária-geral da Presidência, Guilherme Boulos, e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, destacaram que a coleta de dados sublinha a invisibilidade que essa população enfrenta. Para Boulos, o censo proporcionará informações cruciais para desenvolver políticas públicas adequadas: “O censo do IBGE nos dando dados exatos vai permitir, de uma vez por todas, tirar a população de rua da invisibilidade estatística.”
A importância do censo também foi sublinhada pelo Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua, que mencionou que a contagem oficial é uma conquista de uma luta histórica e que as contagens municipais frequentemente distorcem a real dimensão do problema. Ele criticou a superficialidade das abordagens anteriores, que ignoravam grupos familiares em situação de rua, considerando que apenas uma barraca representava uma única pessoa.
Por sua vez, Anderson Miranda, presidente do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política para Inclusão Social da População em Situação de Rua, enfatizou que a realização deste censo é uma conquista significativa para garantir que a população de rua seja contada e considerada nas políticas públicas, que, muitas vezes, eram negligenciadas.
As expectativas sobre os dados que virão desse censo são altas. Espera-se que essas informações contribuam para a elaboração de estratégias eficazes e que, ao final do processo, a invisibilidade estatística que há muito tempo afeta essa população se torne uma realidade superada. O Censo Nacional da População em Situação de Rua não só representa uma inovação no mapeamento demográfico, mas também uma oportunidade de transformação social em várias frentes.



