As narrativas presentes no livro revelam a dor, a saudade, a violência e o trauma vividos por essas crianças durante um dos períodos mais sombrios da história do Brasil. Nadejda Marques, uma das organizadoras da coletânea, destaca que ainda existem muitas histórias não contadas, muitas vozes que não foram ouvidas. Ela mesma, como pesquisadora e professora de direitos humanos, conta sua própria trajetória de exílio desde a infância.
As crianças vítimas da ditadura foram submetidas a uma série de atrocidades, que incluíram perseguições, prisões, torturas e exílios forçados. Muitas delas tiveram que mudar de país mais de uma vez, sofrendo violências em diferentes locais. O livro expõe o impacto psicológico e social dessas experiências, ressaltando a importância de trazer à tona essas histórias para não esquecer e para buscar justiça.
Nadejda Marques enfatiza que as memórias das crianças que viveram o exílio durante a ditadura militar ainda são pouco exploradas e estudadas. O livro se propõe a jogar luz sobre essas histórias invisibilizadas pela história oficial e a relembrar que ainda há muito a ser feito em relação à memória, à verdade e à justiça no Brasil. A Comissão da Verdade e outros trabalhos de investigação têm trazido à tona relatos de crianças que foram vítimas da violência do Estado brasileiro, que viram seus pais serem torturados e que tiveram suas vidas marcadas por traumas indeléveis.
A obra é um importante registro dessas vivências, dando voz às vítimas e reafirmando a necessidade de não esquecer o passado para evitar que os mesmos erros se repitam. O exílio, como expressão da violência do Estado, deixou sequelas profundas nas crianças exiladas, marcando-as para sempre. É fundamental que essas histórias sejam lembradas e que a justiça seja feita em relação aos crimes cometidos durante a ditadura militar no Brasil.