G20: Força-Tarefa Global Contra Fome e Pobreza Privilegia Crianças e Adolescentes
A próxima cúpula do G20, marcada para novembro no Rio de Janeiro, tem um foco reforçado na luta contra a fome e a pobreza global, com a inclusão decisiva de propostas encaminhadas pela Força-Tarefa para a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Este evento crucial verá líderes das maiores economias mundiais discutindo práticas robustas para combater essas questões que persistem em afetar milhões de pessoas. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a prioridade dessas propostas deve ser dirigida especialmente às crianças e adolescentes, os grupos mais vulneráveis e desproporcionalmente afetados por esses problemas.
Liliana Chopitea, chefe de Política Social do Unicef no Brasil, enfatizou a gravidade do cenário atual. "Infelizmente, ainda enfrentamos muitos desafios em relação à situação das crianças no mundo. Elas são desproporcionalmente impactadas pela pobreza e pela má nutrição", afirmou. A presença do Unicef nas discussões do G20, a convite da Presidência do Brasil, ressalta este foco. Desde o início das reuniões preparatórias na última segunda-feira (22), a organização tem sido peça-chave na construção das diretrizes da futura Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
Os números são alarmantes: em todo o mundo, 333 milhões de crianças vivem em extrema pobreza, e cerca de 1 bilhão enfrenta pobreza multidimensional, sofrendo com a falta de direitos essenciais como moradia, água e saneamento, renda digna e educação. Chopitea argumenta que as respostas devem ser intersetoriais, envolvendo diversos setores de políticas públicas para enfrentar eficazmente a pobreza infantil.
O objetivo do pré-lançamento da Aliança Global pela Presidência do Brasil é identificar boas práticas globais e adaptá-las conforme as realidades nacionais. Para Liliana Chopitea, o sucesso reside na decisão política. "Não existe nenhum segredo novo. O que falta é a decisão política. Políticas bem-sucedidas já foram implementadas em muitos países, inclusive no Brasil. Precisamos de uma decisão política que os membros do G20 assumam, priorizando as crianças no centro da discussão", destacou.
Na reunião ministerial recente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou o compromisso político de colocar a luta contra a fome e a pobreza, com um enfoque especial nas crianças, na agenda do governo. Para Chopitea, é imprescindível que os recursos financeiros sejam adequadamente aplicados para apoiar as políticas que efetivamente combatem a pobreza multidimensional e a má nutrição.
Além de mais ampla cobertura da proteção social, a chefe de Política Social do Unicef destacou a necessidade de integrar esta abordagem com outros caminhos, como melhorar o acesso à nutrição, água e saneamento, e garantir educação e cobertura vacinal. "É uma série de políticas integradas para reduzir a pobreza infantil multidimensional", observou.
A análise do orçamento para a atuação da Força-Tarefa é crucial, conforme pontuou Liliana. A apresentação oficial da proposta brasileira para a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza já está recebendo adesão de países além do G20, com expectativas de formalizar o bloco durante a cúpula de novembro. Este evento reunirá as 19 maiores economias do mundo, além da União Africana e da União Europeia, solidificando um esforço conjunto pela erradicação da fome e da pobreza, com um olhar atento e cuidadoso às necessidades das crianças e adolescentes.
