DIREITOS HUMANOS – “Famílias se unem em ato na Catedral da Sé, em São Paulo, pedindo ações governamentais e lembrando desaparecidos no Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas”

No último sábado, dia 30 de agosto, entidades da sociedade civil, coletivos e instituições engajadas na causa dos desaparecidos se reuniram nas escadarias da Catedral da Sé, em São Paulo, para marcar o Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas. O ato, que atraiu um grande número de familiares e apoiadores, teve como principal objetivo dar visibilidade à dor e à luta incessante de milhares de famílias que buscam por seus entes queridos desaparecidos. A mobilização também pediu ações efetivas por parte do poder público para efetivar a resolução dos casos de desaparecimento.

Os participantes trouxeram cartazes e fotos em homenagem aos desaparecidos, criando um ambiente de solidariedade e recordação. Durante o evento, foi lançado o Movimento Nacional de Familiares de Pessoas Desaparecidas, uma nova iniciativa destinada a unir diferentes grupos que lutam pela verdade, memória, justiça e solidariedade, fortalecendo as vozes de quem vive essa dolorosa realidade.

Entre as organizações presentes estavam as Mães da Sé, Mães em Luta, e várias outras coletivos que têm se destacado na luta por políticas públicas mais efetivas. Vera Lúcia Ranu, membro do movimento Mães em Luta, compartilhou sua história pessoal, narrando a angústia de ter uma filha desaparecida há 33 anos. “A minha filha desapareceu no bairro do Jaraguá. Para a polícia, era apenas mais um boletim de ocorrência. Nos números, não existimos, e a investigação só ocorre se houver indícios de crime”, destacou.

Ao longo das mais de três décadas de luta, Vera observou que algumas leis foram instituídas em razão da pressão das famílias, mas a necessidade de ações governamentais concretas ainda é premente. Ela apontou a falta de adesão do estado de São Paulo ao Cadastro Nacional dos Desaparecidos como um exemplo eloquente dessa carência de esforço institucional.

Ivanise Esperidião da Silva, presidente da Associação Mães da Sé, também compartilhou sua experiência amarga, revelando que seu percurso começou com o desaparecimento de sua filha de 13 anos, em 1995. Segundo ela, a sociedade ignorava esses casos na época e a busca incessante por sua filha se deu em silêncio e solidão, através de hospitais e necrotérios.

“Estamos há 30 anos nessa luta, e o lançamento do Movimento Nacional de Familiares de Desaparecidos é um passo importante para fortalecer nossa causa e unir essas famílias, muitas das quais desconhecem seus direitos. Queremos ser a esperança para elas”, enfatizou Ivanise, destacando a importância da união e do fortalecimento das ações em prol da visibilidade e do combate à impunidade em casos de desaparecimentos no Brasil.

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