DIREITOS HUMANOS – Estudo revela violência física predominante contra pessoas em situação de rua na Região Metropolitana de Curitiba.

Estudo revela aumento da violência contra pessoas em situação de rua em Curitiba

Um estudo realizado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) analisou casos de violência contra pessoas em situação de rua na Região Metropolitana de Curitiba entre maio e novembro do ano passado. A pesquisa, baseada em denúncias coletadas pelo Observatório Estadual de Direitos Humanos da População em Situação de Rua do Paraná, revelou que a maioria dos incidentes envolveu violência física.

Durante o período analisado, foram registrados 30 casos de violência, mas a pesquisadora Isabele Cristine Gulisz ressalta que esses números não representam a totalidade das ocorrências, já que muitos casos não chegam ao conhecimento do observatório. Além disso, a violência física foi a mais denunciada, representando 22% do total, seguida por denúncias de discriminação (18%), violência psicológica (18%), negligência (17%) e violência institucional (15%).

O estudo também revelou que cinco pessoas em situação de rua perderam suas vidas durante o período analisado, sendo que em três casos as causas não foram identificadas. Um dos casos suspeitos é de hipotermia, em que a vítima teve seus pertences tomados pela Guarda Municipal dois dias antes. As denúncias contra a Guarda Municipal também estão relacionadas a abusos contra pessoas negras em situação de rua.

O professor Rodrigo Alvarenga, orientador da pesquisa, ressalta que a maioria dos denunciantes são pessoas que estão na rua entre seis meses e um ano, pois, devido às condições de empobrecimento, estão mais dispostas a denunciar. Ele também destaca que as violações de direitos muitas vezes ocorrem devido às operações de remoção forçada conduzidas pelo poder público. Segundo ele, os servidores públicos são empurrados para realizar tarefas higienistas, o que acaba violando os direitos dessas pessoas.

O estudo traz à tona a realidade preocupante da violência contra pessoas em situação de rua em Curitiba. Além de enfrentarem violência física, discriminação e negligência, essas pessoas também são constantemente excluídas e marginalizadas pela sociedade. O estudo ressalta a importância de compreender as formas de violência contra essa população para pensar em soluções e criar espaços de discussão sobre direitos, desigualdades e justiça social.

É fundamental que as autoridades e a sociedade civil se mobilizem para garantir a proteção e os direitos dessas pessoas vulneráveis. Mais programas de assistência social, acesso a abrigos adequados e políticas públicas efetivas são necessários para superar a situação de rua e combater a violência sistêmica enfrentada por essa população.

No entanto, o estudo também ressalta que o problema da situação de rua não é apenas responsabilidade das pessoas em situação de rua, mas também resulta de uma série de vulnerabilidades sociais, psicológicas, físicas e econômicas. É necessário abordar essas questões estruturais e adotar uma abordagem holística para resolver esse problema complexo.

A violência contra pessoas em situação de rua não deve ser tolerada e é urgente que sejam tomadas medidas para garantir a dignidade e os direitos dessa população vulnerável. Somente assim poderemos construir uma sociedade mais justa e inclusiva para todos.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo