O advogado, que atua como relator em um processo que reconheceu a perseguição do estado contra o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, argumenta que não é aceitável que a sociedade brasileira arque sozinha com os custos das indenizações, visto que diversas grandes empresas, tanto nacionais quanto multinacionais, se beneficiaram do regime repressivo. Ele propõe que o Estado busque a responsabilização judicial dessas empresas, que teriam contribuído diretamente para a repressão e as violações de direitos humanos durante a dictadura.
Mello enfatiza que a ditadura não foi apenas uma ação militar, mas um golpe civil-militar, sustentado pelo apoio de setores empresariais que financiaram e logísticamente auxiliaram o regime. Há documentos que, segundo o conselheiro, comprovam a participação de corporações na repressão, já que muitas demitiram trabalhadores que se opunham à ditadura e colaboraram com a elaboração de listas de perseguição.
O montante envolvido em indenizações já ultrapassa um bilhão de reais, refletindo o custo elevado das ações de reparação. Mello observa que, além de recuperar recursos, a proposta visa promover a responsabilização das empresas, a fim de que episódios semelhantes não se repitam no futuro.
No entanto, ele reconhece que a aceitação da proposta pode ser desafiadora, considerando a resistência de grandes empresas e a sensibilidade do tema. Para a implementação da recomendação, órgãos como a Advocacia Geral da União e o Ministério Público Federal já possuem legitimidade para atuar. Contudo, Mello ressalta que a discussão precisa de uma análise jurídica aprofundada.
As propostas de reparação e responsabilização de empresas envolvidas na repressão são, portanto, um importante passo para a construção de uma democracia mais robusta, onde as lições do passado sejam levadas em consideração para não se repetirem.
