DIREITOS HUMANOS – DPU Repudia Aprovação de Lei que Proíbe Cotas Raciais em Universidades de Santa Catarina como Grave Retrocesso Social e Inconstitucional

Na semana passada, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou um polêmico projeto de lei que proíbe a implementação de cotas raciais em universidades estaduais. A proposta, de autoria do deputado Alex Brasil (PL), gerou uma forte reação por parte da Defensoria Pública da União (DPU), que expressou preocupação e repúdio à decisão. Em nota oficial, a DPU classificou a medida como um grave retrocesso social e um possível infringimento aos princípios da Constituição Federal, particularmente no que se refere à igualdade material.

A nova legislação não apenas veda a implementação de políticas afirmativas nas instituições de ensino superior públicas do estado, como também se aplica a qualquer entidade que receba financiamento do governo catarinense. A DPU ressalta que essa proibição coloca em risco os avanços já conquistados na luta pelo reconhecimento dos direitos de grupos historicamente marginalizados, como negros, indígenas e quilombolas.

Além de restringir as políticas de inclusão, a lei estabelece uma multa de R$ 100 mil para editais que não cumprirem a nova normativa, além de prever a abertura de processos administrativos disciplinares contra servidores públicos que desrespeitarem o princípio da legalidade. A iniciativa é vista pela DPU como uma tentativa de silenciar vozes e restringir o acesso de comunidades desfavorecidas ao espaço acadêmico.

Em sua justificativa, o deputado Alex Brasil argumenta que a adoção de cotas deve ser baseada apenas em critérios econômicos ou na origem dos alunos em escolas públicas, alegando que as cotas raciais geram controvérsias jurídicas e ferem princípios de isonomia e impessoalidade. Essa postura, no entanto, é criticada pela DPU, que afirma que a proposta reflete discursos racistas e excludentes, evidenciando uma resistência à ascensão social e à maior presença de minorias em ambientes educacionais e institucionais.

O clima de tensão e divisão em torno do tema suscita questões mais amplas sobre a igualdade de oportunidades no Brasil, especialmente no contexto atual em que a luta contra o racismo e a busca por justiça social continuam em destaque. A DPU e outros grupos de defesa dos direitos humanos prometem seguir monitorando a situação e intensificar as discussões sobre a importância das políticas de inclusão nas universidades.

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