DIREITOS HUMANOS – Desigualdades Persistem no Brasil Apesar de Avanços em Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2025, Apresentado em Brasília nesta Quinta-feira.

O Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades revelou, em uma cerimônia realizada em Brasília, o terceiro Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2025. O documento conta com uma análise de 43 indicadores sociais, dos quais 25 apontaram avanços significativos. Entre os aspectos destacados, estão melhorias nas áreas de meio ambiente, trabalho, educação e saúde. Contudo, os dados também evidenciam a continuidade das desigualdades, especialmente relacionadas a raça, gênero e regiões do Brasil.

O deputado Pastor Henrique Vieira, do PSol do Rio de Janeiro, enfatizou a importância de não normalizar as desigualdades sociais, alertando que os números representam vidas e histórias de brasileiros que clamam por um país mais justo e solidário. O sociólogo Clemente Ganz Lúcio, representante do Pacto, destacou que as desigualdades no Brasil são um problema estrutural que afeta diversas dimensões da vida social, sugerindo que os resultados do relatório servem para um diagnóstico preciso e para fomentar debates sobre superação das disparidades.

No campo ambiental, o relatório mostra um avanço com a redução das emissões de carbono por habitante. O Brasil, que será sede da COP30 em novembro, emitiu 12,4 toneladas de CO₂ por pessoa em 2022, com uma queda para 10,8 toneladas em 2023. Apesar dessa melhoria, Gisele Brito, do Instituto de Referência Negra Peregum, alertou para os impactos negativos do agronegócio, que intensifica a concentração de riqueza e acelera conflitos sociais.

Na educação, a situação é mista. Embora haja um aumento no percentual de crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creches, muitos ainda permanecem fora do sistema educacional. Em termos de renda, o rendimento médio apresentou leve alta, mas a desigualdade permanece evidente: os 1% mais ricos continuam a ganhar 30,5 vezes mais que os 50% mais pobres.

Os dados também revelam uma preocupação com a saúde pública, com a redução da mortalidade materna, mas com resultados muito piores nas regiões Norte e Nordeste. A violência de gênero, que ainda preocupa, apresentou crescimento no número de feminicídios. Em resumo, apesar de alguns avanços, as desigualdades sociais no Brasil permanecem em um estado crítico, exigindo ações efetivas para reverter esse quadro.

Sair da versão mobile