De acordo com as investigações conduzidas por essas entidades, as operações resultaram na morte de 84 pessoas e na prisão de mais de 2 mil indivíduos, considerados suspeitos de atividades ilícitas. A crítica se concentra na letalidade elevada e no uso abusivo da força policial, além de práticas que incluem invasão de domicílios e intimidações direcionadas a moradores de comunidades periféricas. Essa abordagem violenta e saturada de tensão levanta questões sobre a eficácia e a ética das estratégias empregadas por forças de segurança no combate à criminalidade.
Um dos pontos mais controversos da denúncia é a suposta desconsideração das narrativas das famílias afetadas. As entidades alegam que apenas a versão oficial da polícia foi levada em conta, enquanto relatos de vítimas e seus familiares foram ignorados. Além disso, há críticas ao Ministério Público estadual, que teria arquivado todas as investigações sobre casos suspeitos de execuções, o que gera desconfiança sobre a imparcialidade e a transparência das investigações.
O relatório das ONGs também indica falhas periciais significativas, como a falta de um registro adequado sobre as armas apreendidas e a remoção inadequada de objetos das cenas de crime antes da perícia. A ausência de câmeras corporais ou sua utilização inadequada é outra questão ressaltada, aumentando a sensação de impunidade em relação às ações policiais.
Em resposta às graves acusações, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo defendeu a eficácia das operações, afirmando que elas resultaram na prisão de importantes líderes de facções criminosas e na remoção de substanciais quantidades de armamento e drogas das ruas. A SSP assegurou que todas as mortes ocorridas durante as operações foram alvo de investigações rigorosas, realizadas sob a supervisão de órgãos de controle como o Ministério Público e o Poder Judiciário. Elas afirmaram ainda que as informações relevantes, incluindo imagens das câmeras corporais, foram compartilhadas com os órgãos supervisores.
Esse embate entre o governo paulista e as organizações de direitos humanos exemplifica a complexidade do cenário atual, onde a luta contra a criminalidade se entrelaça com a necessidade de respeitar e proteger os direitos fundamentais dos cidadãos. A expectativa agora é que o Estado brasileiro forneça uma resposta adequada à CIDH e tome medidas concretas para responsabilizar os policiais envolvidos nas ações questionadas.






