Ao longo do ano passado, o Brasil registrou um total de 75.599 pedidos de refúgio, dos quais 41.919 foram feitos por cubanos, representando 55,4% do total. Esse aumento expressivo de solicitações, que equivale a um crescimento impressionante de 88,1% em comparação ao ano anterior, reflete não apenas a busca por segurança e melhores condições de vida, mas também a necessidade urgente de reconhecimento de direitos fundamentais.
Os venezuelanos, que tradicionalmente lideravam os pedidos de refúgio no Brasil, apareceram em segundo lugar com 21.233 solicitações, o que corresponde a 28,1% do total registrado. Apesar de ainda comporem uma fração significativa dos solicitantes, seu número representa uma clara desaceleração frente à avalanche de cubanos buscando asilo. Além disso, colombianos, angolanos, marroquinos e ganenses também fizeram suas solicitações, mas em números muito menores, com brasileiros observando um crescimento nas migrações de diferentes partes do globo.
O contexto para esse aumento no fluxo migratório é multifacetado, envolvendo um retorno gradual aos níveis pré-pandemia. Em anos anteriores, como 2022, 2023 e 2024, o Brasil já havia visto um aumento nos pedidos de refúgio após as restrições impostas pela pandemia do COVID-19.
A distribuição territorial das solicitações também oferece insights valiosos. A Região Norte do Brasil foi responsável por 52,4% dos pedidos atendidos pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), destacando a forte presença de cubanos e venezuelanos na área. Por outro lado, destaca-se que a Região Nordeste ficou com apenas 1,9% das solicitações atendidas, levantando questionamentos sobre a acessibilidade e o foco das políticas públicas nessa região.
Esses dados apontam não apenas para uma mudança na origem dos solicitantes de refúgio, mas também para as complexidades que o Brasil enfrenta em sua política de imigração e acolhimento. A urgência de estratégias eficazes para lidar com essa nova realidade se torna cada vez mais evidente.




